IA & InovaçãoNews
Tendência

IA torna edição genética mais precisa e reduz erros em até 83%, aponta estudo

Ferramenta baseada no AlphaFold3 identifica alterações indesejadas no DNA e pode tornar terapias genéticas mais seguras no futuro

Pesquisadores desenvolveram uma nova plataforma de inteligência artificial capaz de aumentar significativamente a precisão da edição genética. Batizada de ContactSeek, a tecnologia utiliza o modelo AlphaFold3 para analisar a interação entre proteínas editoras, DNA e RNA-guia, reduzindo em até 83% as chamadas edições “fora do alvo” (off-target), um dos principais desafios das técnicas modernas de edição genética. O estudo foi publicado na revista científica Nature.

A edição genética, realizada por ferramentas como o CRISPR, permite modificar sequências específicas do DNA para corrigir mutações responsáveis por doenças hereditárias. No entanto, uma das maiores preocupações dos cientistas é que essas ferramentas também possam alterar regiões não planejadas do genoma, provocando efeitos colaterais inesperados.

Para enfrentar esse problema, a equipe desenvolveu o ContactSeek, um sistema baseado em IA que utiliza as previsões estruturais do AlphaFold3 para identificar quais partes da proteína editora interagem com o DNA e quais podem favorecer alterações indesejadas. Com essas informações, os pesquisadores conseguem sugerir pequenas modificações na estrutura da proteína, tornando a edição mais específica e segura.

Nos testes realizados, a plataforma foi aplicada inicialmente em um editor de base de adenina, tecnologia utilizada para substituir uma única letra do DNA. Após as alterações sugeridas pela inteligência artificial, a versão otimizada do editor apresentou uma redução de aproximadamente 83% nas edições fora do alvo em um dos RNAs-guia analisados.

Os pesquisadores também utilizaram a ferramenta para aperfeiçoar um editor de base de citosina baseado na enzima Cas12a, obtendo ganhos semelhantes na especificidade da edição genética. Os resultados indicam que a abordagem pode ser adaptada para diferentes ferramentas de edição de DNA e RNA, ampliando seu potencial de aplicação na pesquisa biomédica.

Apesar dos avanços, os cientistas ressaltam que a tecnologia ainda não está pronta para uso clínico. Antes de ser utilizada em tratamentos médicos, será necessário validar seu desempenho em diferentes tipos de células, tecidos e organismos, além de confirmar que as modificações propostas permanecem seguras em longo prazo.

Segundo os autores, o ContactSeek representa uma nova forma de aplicar inteligência artificial ao desenvolvimento de ferramentas biomédicas, permitindo projetar editores genéticos mais precisos antes mesmo dos testes em laboratório. Se confirmada em estudos futuros, a tecnologia poderá contribuir para tornar terapias genéticas mais eficazes e reduzir os riscos associados à edição do genoma humano.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo