
Julho chegou, a mala está separada e a passagem, comprada. Para a maioria das pessoas, é a época mais gostosa do ano. Para os golpistas, também. Enquanto você relaxa e vive grudado no celular reservando hotel e conferindo o embarque, os criminosos entram na alta temporada deles. E o produto que mais exploram é um só: a sua distração.
Não é exagero. Especialistas alertam que o período de férias concentra um aumento nas tentativas de golpe, com destaque para roubo de senhas, mensagens falsas de reserva e fraudes que exploram passagens, hotéis e milhas, segundo a Skyone (julho de 2026). A lógica é simples e cruel: nas férias a rotina afrouxa, a atenção cai, e a gente faz no celular, na correria de um aeroporto, o que faria com calma em casa.
A boa notícia é que quase todos esses golpes têm o mesmo esqueleto e, portanto, as mesmas defesas. Você não precisa ser da área de tecnologia. Precisa conhecer as armadilhas e adotar alguns hábitos. É o que este guia faz, golpe por golpe.
1. A promoção boa demais para ser verdade
O clássico. Chega uma mensagem no WhatsApp ou por e-mail com um pacote, uma passagem ou um cupom com desconto absurdo. E vem sempre com um relógio correndo: “só hoje”, “últimas vagas”, “expira em 10 minutos”. Esse senso de urgência não é entusiasmo do vendedor, é a principal ferramenta do golpista. A pressa serve para desligar o seu senso crítico antes que você repare que o link é estranho.
Como se proteger: nunca clique no link da mensagem, abra você mesmo o site oficial digitando o endereço no navegador. Desconfie de valores muito abaixo do mercado e nunca pague por fora da plataforma oficial de reserva.
2. O Wi-Fi que parece amigo
Você chega ao aeroporto ou ao hotel e procura o Wi-Fi gratuito. Aparecem duas redes com nomes quase idênticos. Uma é a verdadeira. A outra foi criada por um criminoso, ali do lado, justamente para você se conectar. Ao entrar na rede falsa, tudo o que você digita pode passar pela mão dele, incluindo senhas de banco. É um dos golpes mais silenciosos que existem, porque não deixa rastro visível.
Como se proteger: para banco, e-mail e compras, prefira os dados móveis do próprio celular.
Se precisar usar uma rede aberta, evite fazer login em contas importantes enquanto estiver
nela.
3. O sequestro das suas milhas
Esse dói no bolso de quem juntou pontos por anos. Você recebe um site falso de compra de passagem ou de consulta ao programa de milhas. Para “acessar”, informa CPF e senha. Pronto, o criminoso tem a sua conta. Em casos documentados pela Kaspersky, o fraudador transfere os pontos para fora e revende, podendo continuar drenando os benefícios por tempo indeterminado se você não perceber.
Como se proteger: senha forte e exclusiva para o programa de milhas, diferente de todas as
outras, e verificação em duas etapas sempre que a plataforma oferecer.
4. A maquininha e o Pix na correria
Nem todo golpe de férias é digital. No quiosque, no restaurante à beira-mar ou na barraca de praia, existe o truque da maquininha adulterada, em que o valor digitado é diferente do combinado. E existe a versão Pix: no aperto do embarque, com o QR Code na tela, é fácil confirmar sem conferir para quem está indo o dinheiro.
Como se proteger: olhe o visor da maquininha antes de inserir o cartão e recuse equipamentos com a tela danificada. No Pix, confira sempre valor e nome do recebedor. Dez segundos de conferência valem mais do que uma tarde inteira tentando reaver o dinheiro.
5. A viagem que você posta em tempo real
O mais subestimado. Publicar as fotos no exato momento em que você está longe conta duas histórias para quem observa: que a sua casa está vazia e que você está distraído, num contexto novo, mais fácil de manipular. É a informação que abastece desde o furto físico até o golpe do falso parente pedindo ajuda.
Como se proteger: poste depois, quando já tiver voltado. A viagem não fica menos boa por
ser contada um pouco mais tarde.
O kit básico antes de trancar a porta
Boa parte da proteção acontece antes de você sair de casa, em ajustes de poucos minutos:
● Verificação em duas etapas no banco, e-mail, redes sociais e milhas. É a tranca extra que barra o criminoso mesmo que ele descubra a sua senha.
● Senhas únicas, de preferência num gerenciador. Repetir a mesma senha é entregar um molho de chaves que abre todas as portas.
● Aparelhos atualizados e com bloqueio por senha ou biometria. Atualização não é frescura, é o conserto de fechaduras que os criminosos já sabem arrombar.
- Alertas de transação ligados no aplicativo do banco, para perceber qualquer movimento estranho na hora, e não só no fim do mês.
E se algo der errado no meio da viagem, o fator que mais pesa é o tempo. Perdeu o celular ou desconfia que caiu num site falso? Bloqueie os acessos com o banco imediatamente, troque as senhas a partir de outro dispositivo e, se for equipamento do trabalho, avise a empresa na hora para que a equipe de segurança encerre as sessões abertas, como recomenda a Skyone. Golpe percebido cedo é prejuízo pequeno.
O verdadeiro souvenir
Segurança em viagem não é sobre viajar com medo. É sobre levar junto alguns hábitos que cabem no bolso e não pesam na mala. O golpista aposta que, de férias, você vai desligar o senso crítico junto com o despertador. A melhor defesa é provar que ele errou.
Fica a pergunta, antes de você fechar aquela reserva com desconto irresistível: você está
diante de uma oportunidade de verdade, ou de uma pressa que alguém plantou para você não
pensar direito?



