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Quando a economia desacelera, a eficiência se torna decisiva

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reduziu de 2% para 1,6% sua projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2026. Para a indústria de transformação, a expectativa é de retração de 0,7%. Os números refletem um ambiente econômico mais desafiador e levantam preocupações sobre as perspectivas empresariais para 2027.

Uma economia que cresce mais lentamente não significa, necessariamente, que todas as empresas venderão menos. Entretanto, a expansão das receitas pode ficar abaixo do planejado, comprometendo organizações que dimensionaram suas estruturas para volumes maiores. Os custos fixos passam a representar uma parcela maior do faturamento, os estoques podem girar mais lentamente e a necessidade de capital de giro tende a aumentar.

Os juros elevados agravam esse cenário, especialmente para empresas endividadas. Mas mesmo organizações pouco alavancadas podem enfrentar dificuldades quando a capacidade instalada fica ociosa, as margens diminuem e o retorno sobre o capital investido se deteriora.

As perspectivas para 2027 acrescentam outras preocupações. O crescimento da dívida pública, projetada pelo mercado em 87% do PIB, amplia as incertezas sobre a trajetória fiscal e seus possíveis reflexos nos juros e nos investimentos. Ao mesmo tempo, a Reforma Tributária introduz mudanças relevantes nas estruturas de custos, na formação de preços e na gestão financeira das empresas.

Em 28 de outubro, o TCU calculou em 11,3% a alíquota de referência da CBS para 2027, ainda sujeita à definição pelo Senado. Embora isso não represente necessariamente aumento da carga tributária para todos os setores, reforça a importância de avaliar os impactos sobre preços, créditos tributários, contratos e fluxo de caixa.

Nesse ambiente, a gestão empresarial exige maior precisão. Políticas de compras, níveis de estoque, rentabilidade por produto e canal, produtividade e alocação de capital precisam ser analisados de maneira integrada.

A tecnologia contribui diretamente para essa capacidade de gestão. Dados integrados, modelos de previsão, automação e inteligência artificial permitem antecipar desvios, melhorar o planejamento e ampliar a produtividade. Seu valor deve ser observado nos resultados econômicos, como eficiência operacional, margens, capital de giro e retorno dos investimentos.

Por outro lado, períodos de menor crescimento também podem oferecer oportunidades para organizações financeiramente preparadas, capazes de investir, conquistar mercado e fortalecer sua posição competitiva.

Diante das perspectivas para 2027, o desafio não está apenas em buscar novas receitas, mas em melhorar a capacidade de gerar resultados, preservar o caixa e utilizar o capital com eficiência.

A conjuntura macroeconômica influencia as condições de mercado, mas a qualidade das decisões empresariais continuará sendo determinante para a competitividade.

Gabriel

Executivo e advisor em tecnologia, inovação e transformação digital, com experiência em governança corporativa, gestão financeira e liderança de programas de transformação empresarial.

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