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Claro apresenta TVRO 2.5 e aproxima parabólica digital da experiência da TV 3.0

Novo receptor combina sinal de TV aberta via satélite com internet, aplicativos, streaming, interatividade, resolução 4K e comandos de voz com inteligência artificial. Tecnologia ainda passa por certificação e não tem data definida para chegar ao mercado.

A tradicional antena parabólica está prestes a ganhar recursos que até pouco tempo estavam restritos às Smart TVs e plataformas de streaming. A Claro apresentou na SET Expo 2026, em São Paulo, uma implementação do TVRO 2.5, nova geração de receptores que combina a transmissão de televisão aberta via satélite com conectividade à internet.

O equipamento funciona de maneira híbrida: continua recebendo os canais pelo satélite, mas utiliza a conexão com a internet para adicionar aplicativos, conteúdos sob demanda, interatividade, personalização e outros serviços digitais.

A proposta é aproximar a experiência da parabólica daquela prevista para a TV 3.0 brasileira, sem abandonar uma das principais vantagens do satélite: a capacidade de distribuir televisão para regiões onde a infraestrutura terrestre pode ser limitada.

Parabólica deixa de ser apenas um receptor de canais

O conceito tradicional de TVRO — Television Receive Only — é relativamente simples.

Uma antena recebe o sinal enviado pelo satélite e o receptor transforma essa transmissão em canais que podem ser assistidos na televisão.

No TVRO 2.5, esse receptor ganha uma nova função.

Ele passa a atuar como uma plataforma conectada.

O equipamento demonstrado pela Claro utiliza um sistema operacional chamado Zap OS, responsável por gerenciar aplicativos, conteúdos e aproximadamente 80 canais disponíveis via satélite.

Com internet disponível, novas funcionalidades são adicionadas à experiência.

Streaming aparece junto com os canais tradicionais

Uma das principais mudanças está na maneira como o usuário encontra conteúdo.

Imagine uma emissora que transmite sua programação normalmente pelo satélite, mas também possui canais ou conteúdos disponíveis pela internet.

No modelo híbrido, o usuário não precisa necessariamente abandonar a interface da parabólica e abrir outro dispositivo.

O próprio sistema pode identificar essas transmissões online e apresentá-las junto aos canais convencionais.

A demonstração inclui integração com serviços como o Mais BR, permitindo agregar canais de streaming diretamente à interface.

Isso reduz a separação entre “assistir TV” e “abrir um streaming”.

Para o usuário, tudo começa a aparecer dentro do mesmo ambiente.

Controle remoto pode levar diretamente ao streaming da emissora

O TVRO 2.5 também permite que uma emissora conecte sua programação tradicional a serviços digitais.

Durante determinado programa, por exemplo, o radiodifusor pode oferecer conteúdos adicionais disponíveis pela internet.

O telespectador consegue acessar essas opções utilizando o próprio controle remoto.

Essa arquitetura elimina parte da dependência dos QR Codes exibidos atualmente na televisão para transportar o usuário da TV para o celular.

Em vez de apontar a câmera do smartphone para a tela, a interação pode acontecer diretamente no receptor.

Enquetes, votação e informações em tempo real

Outra mudança está na interatividade.

O sistema pode oferecer aplicações com informações adicionais, como previsão do tempo, além de ferramentas para participação do telespectador.

Enquetes e votações são alguns exemplos.

Uma emissora poderia utilizar esse recurso durante um programa ao vivo para perguntar algo ao público e receber respostas diretamente pelo sistema.

Programas esportivos, realities, jornalismo e entretenimento estão entre os formatos que podem explorar esse tipo de interação.

A televisão deixa de ser exclusivamente uma transmissão de mão única.

Usuários poderão ter perfis

A existência de conexão com a internet também permite trabalhar com identificação e personalização.

O TVRO 2.5 prevê suporte a perfis de usuário e integração com sistemas de login das próprias emissoras.

Essa característica abre espaço para experiências diferentes dentro da mesma residência.

Uma emissora poderia reconhecer determinado usuário e apresentar serviços ou conteúdos associados àquela conta.

No longo prazo, essa capacidade também pode transformar a publicidade na TV via satélite.

Publicidade pode se tornar mais segmentada

Na televisão tradicional, todos que assistem a determinado canal normalmente recebem o mesmo comercial.

Plataformas digitais funcionam de maneira diferente.

Anúncios podem variar conforme localização, perfil ou diferentes critérios definidos pelo anunciante.

A combinação entre transmissão via satélite e conexão com a internet abre caminho para levar parte dessa lógica para a televisão aberta recebida por parabólica.

Para as emissoras, isso pode criar novas possibilidades de monetização.

Para anunciantes, significa aproximar a capacidade de segmentação da televisão daquela encontrada nas plataformas digitais.

Receptor terá suporte a 4K e H.265

A evolução não acontece apenas na interface.

O equipamento demonstrado pela Claro possui suporte à resolução 4K e ao codec H.265, também conhecido como HEVC.

O padrão permite comprimir vídeo com maior eficiência, característica especialmente importante quando existe necessidade de transmitir conteúdos com alta resolução.

A capacidade prepara a infraestrutura para uma evolução gradual da qualidade da programação disponível pelo satélite.

Isso não significa que todos os canais passarão automaticamente para 4K, mas o receptor já estará tecnicamente preparado para conteúdos nesse formato.

Inteligência artificial chega ao controle da parabólica

Outra novidade interessante está nos comandos de voz.

O receptor incorpora recursos de inteligência artificial e utiliza um microfone para receber instruções do usuário.

A experiência pretende funcionar de maneira semelhante aos assistentes virtuais utilizados em dispositivos domésticos.

Em vez de navegar manualmente pelos menus, o telespectador poderá utilizar a voz para encontrar determinados conteúdos ou executar funções.

Essa característica mostra o quanto a nova geração se distancia dos receptores tradicionais de parabólica.

O equipamento começa a assumir funções próximas às de uma Smart TV ou set-top box conectado.

Software segue padrões relacionados à TV 3.0

A aproximação com a próxima geração da televisão brasileira não acontece apenas na aparência.

A camada de software utilizada no TVRO 2.5 segue os padrões do DTV Play e é equivalente à utilizada no ecossistema da TV 3.0.

A principal diferença está na forma de transporte do sinal.

Enquanto a TV 3.0 terrestre utiliza sua própria infraestrutura de radiodifusão, o TVRO 2.5 mantém o satélite como meio principal para entregar os canais, adicionando a internet como camada complementar.

Isso permite levar recursos semelhantes para residências atendidas por parabólicas.

Tecnologia pode ser importante para regiões afastadas

O Brasil possui características geográficas que tornam o satélite particularmente importante.

Levar redes terrestres de alta capacidade para todo o território é complexo e caro.

O satélite consegue cobrir enormes regiões simultaneamente.

Por isso, mesmo com o avanço da fibra óptica, 4G, 5G e streaming, a transmissão via satélite continua relevante para milhões de brasileiros.

A arquitetura híbrida tenta preservar justamente essa vantagem.

O canal principal pode continuar chegando pela parabólica enquanto recursos adicionais utilizam internet quando houver conectividade disponível.

Usuários atuais não precisarão trocar obrigatoriamente seus receptores

Existe uma informação importante para quem já utiliza a nova parabólica.

A chegada do TVRO 2.5 não significa que os receptores atuais deixarão automaticamente de funcionar.

A Claro afirma que o novo modelo foi pensado para coexistir com o parque instalado.

Quem estiver satisfeito com as funcionalidades atuais poderá continuar utilizando seu equipamento.

A troca será relevante principalmente para consumidores interessados nos novos recursos de conectividade, interatividade e personalização.

Indústria discute padronização

Para uma tecnologia desse tipo ganhar escala, diferentes fabricantes precisam conseguir produzir equipamentos compatíveis.

A Abrasat participa das discussões para estabelecer uma padronização técnica da iniciativa junto à indústria.

Esse processo é importante para evitar que cada fabricante desenvolva uma solução completamente diferente.

Uma especificação comum facilita a criação de aplicativos pelas emissoras e aumenta a possibilidade de diferentes receptores oferecerem experiências compatíveis.

Ainda não há data para chegar às lojas

Apesar da demonstração realizada durante a SET Expo 2026, o TVRO 2.5 ainda não está pronto para comercialização imediata.

O equipamento passa por etapas de produção, certificação e homologação técnica.

A Claro ainda não anunciou uma data oficial para o lançamento comercial.

Também não foi informado o preço que os novos receptores terão quando chegarem ao consumidor.

Esse será um ponto decisivo.

A tecnologia pode oferecer muitos recursos, mas precisará chegar a uma faixa de preço compatível com o público que atualmente utiliza parabólicas digitais.

Parabólica começa a virar uma plataforma digital

A principal transformação do TVRO 2.5 talvez não esteja no 4K, na inteligência artificial ou nos aplicativos individualmente.

Está na mudança do próprio conceito de receptor.

Durante décadas, a função da caixa conectada à parabólica era praticamente uma só: receber canais.

Agora, ela pode identificar usuários, executar aplicativos, acessar streaming, receber comandos de voz, oferecer interatividade e combinar conteúdo transmitido por duas infraestruturas diferentes.

O satélite continua fazendo aquilo em que é extremamente eficiente: distribuir o mesmo sinal para uma enorme quantidade de pessoas.

A internet acrescenta aquilo em que possui vantagem: personalização e comunicação bidirecional.

Essa combinação pode transformar a parabólica em uma peça importante da próxima geração da televisão brasileira — especialmente em um país onde TV aberta, internet e satélite precisam coexistir para alcançar públicos com realidades de conectividade muito diferentes.

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