
A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) solicitou ao governo federal apoio para incluir produtos do setor de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica (GTD) na lista de exceções às novas tarifas de 25% anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O pedido foi encaminhado ao Ministério das Relações Exteriores (MRE) e ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Segundo a entidade, o mercado norte-americano é estratégico para a indústria eletroeletrônica brasileira, especialmente para fabricantes de transformadores, motores, geradores e outros equipamentos industriais. A Abinee argumenta que a sobretaxa pode reduzir a competitividade das exportações nacionais e afetar investimentos no setor.
Um dos principais argumentos apresentados pela associação é que a balança comercial do segmento já favorece os Estados Unidos. Em 2025, as exportações brasileiras do setor eletroeletrônico para o mercado norte-americano somaram US$ 2,1 bilhões, enquanto as importações provenientes dos EUA chegaram a US$ 4,8 bilhões, resultando em um déficit de US$ 2,7 bilhões para o Brasil. Segundo a Abinee, esses números mostram que não há justificativa econômica para ampliar as barreiras comerciais.
Além do pedido ao governo brasileiro, a entidade também encaminhou manifestação ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), apoiando o posicionamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) contra a investigação comercial baseada na Seção 301 da legislação norte-americana. A associação sustenta que o Brasil não adota práticas discriminatórias contra produtos dos Estados Unidos e que suas normas seguem as regras do comércio internacional.
A Abinee destaca ainda que diversas empresas de capital norte-americano possuem operações industriais no Brasil e participam da cadeia produtiva do setor elétrico e eletrônico, o que reforça a importância da manutenção de um ambiente comercial estável entre os dois países.
Para a entidade, a inclusão dos equipamentos elétricos na lista de exceções ajudaria a preservar a competitividade da indústria brasileira e evitar impactos sobre projetos de infraestrutura energética. A associação defende que o diálogo diplomático entre Brasil e Estados Unidos continue sendo o principal caminho para solucionar o impasse comercial e reduzir os efeitos das novas tarifas sobre o setor.



