
O Reino Unido intensificou a pressão sobre grandes empresas de tecnologia para ampliar a proteção de crianças e adolescentes nas redes sociais. O órgão regulador britânico Ofcom exigiu que plataformas como Instagram, Facebook, TikTok, YouTube, Snapchat e Roblox apresentem medidas concretas para reforçar a segurança de menores no ambiente digital.
A iniciativa faz parte do avanço das regras britânicas de segurança online, que vêm ampliando a responsabilidade das plataformas sobre conteúdos, mecanismos algorítmicos e riscos enfrentados por usuários menores de idade. Segundo o regulador, as empresas terão de demonstrar ações efetivas, e não apenas promessas de melhoria.
Entre as principais cobranças está a adoção de sistemas de verificação de idade considerados realmente eficazes. Dados citados pelo Ofcom indicam que grande parte das crianças entre 8 e 12 anos acessa plataformas cuja idade mínima oficial é de 13 anos, evidenciando falhas nos atuais mecanismos de controle.
O regulador também pediu medidas mais rigorosas contra práticas de grooming — termo usado para descrever estratégias de aliciamento e manipulação online de menores por criminosos ou adultos mal-intencionados. Além disso, o Reino Unido quer mudanças na forma como algoritmos recomendam conteúdos para crianças, reduzindo exposição a materiais considerados prejudiciais, viciantes ou inadequados para determinadas faixas etárias.
Outra exigência envolve a análise preventiva de novos produtos e recursos lançados pelas plataformas. O Ofcom quer que empresas passem a realizar avaliações de risco antes de disponibilizar funcionalidades que possam impactar crianças e adolescentes no ambiente digital.
A pressão ocorre em um cenário global de crescente debate sobre os efeitos das redes sociais na saúde mental, privacidade e segurança infantil. Países como Austrália, Estados Unidos e membros da União Europeia vêm discutindo regras mais rígidas relacionadas a idade mínima, design de plataformas, moderação de conteúdo e responsabilidade das big techs sobre danos online envolvendo menores.
O Ofcom estabeleceu prazo para que as empresas apresentem detalhes das ações planejadas e indicou que poderá anunciar novas medidas regulatórias após avaliar as respostas das plataformas. O regulador também incentivou maior transparência pública sobre os compromissos assumidos pelas companhias.
A movimentação britânica reforça uma tendência internacional: a transição da autorregulação das redes sociais para modelos de supervisão mais rígidos, com foco crescente em proteção infantil, governança algorítmica e responsabilidade digital.



