
O Japão começou a operar um novo modelo de drone militar feito majoritariamente de papelão ondulado, tecnologia que promete reduzir drasticamente os custos de produção de aeronaves não tripuladas. Chamado de AirKamuy 150, o equipamento custa entre US$ 2 mil e US$ 2,5 mil — cerca de R$ 9 mil a R$ 12 mil — e já está sendo utilizado em exercícios militares pelas Forças de Autodefesa Marítima do país.
Desenvolvido pela startup japonesa AirKamuy, o drone foi criado com foco em produção em massa, logística simplificada e baixo custo operacional. Diferente de drones militares convencionais fabricados com fibra de carbono e materiais compostos caros, o AirKamuy 150 utiliza papelão impermeabilizado e pode ser produzido em fábricas comuns de embalagens.
O modelo possui velocidade máxima de aproximadamente 120 km/h, autonomia de até 80 minutos e alcance próximo de 80 quilômetros. Outro diferencial é a facilidade de transporte: desmontado em formato plano, um único contêiner pode carregar até 500 unidades do drone.
Segundo especialistas, o uso do papelão também reduz parcialmente a assinatura de radar da aeronave, dificultando sua detecção em determinadas situações. O drone pode atuar em missões de reconhecimento, treinamento militar, guerra eletrônica e até operações em enxame para saturar sistemas de defesa aérea.
O projeto faz parte da nova estratégia de defesa japonesa, que busca ampliar rapidamente a capacidade de produção de drones descartáveis e baratos diante das mudanças observadas em conflitos recentes, como a guerra na Ucrânia. O governo japonês destinou parte significativa do orçamento militar de 2026 para sistemas não tripulados e soluções de defesa baseadas em IA e automação.
A AirKamuy afirma que o objetivo é criar drones acessíveis, rápidos de fabricar e fáceis de substituir em cenários de combate, reduzindo a dependência de cadeias industriais complexas e equipamentos militares extremamente caros.



