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Por que empresas estão gastando mais em tecnologia e entregando menos resultado

Especialista defende que governança de projetos, gestão de riscos e engajamento humano são os diferenciais que garantirão competitividade nos próximos anos

Segundo o relatório ISG Market Lens “2025 IT Budgets and Spending Study”, em 2024, as empresas enfrentaram um aumento significativo nos custos de tecnologia, impulsionado pelo crescimento dos investimentos em nuvem, segurança e inteligência artificial. Esse cenário foi agravado por um período de inflação elevada e maiores custos trabalhistas. Em média, as organizações destinaram 5,7% de sua receita global, o equivalente a US$ 742 milhões, para soluções, serviços e equipes de TI.

Para a TGT ISG, consultoria referência em governança e transformação, o Project Management Office (PMO) é peça central para garantir que essas transições aconteçam de forma estruturada, minimizando riscos, maximizando valor e garantindo que estes investimentos gerem os resultados esperados. Fabiana Fernandes, líder de PMO e sócia na TGT ISG, é especialista em grandes programas de transformação e resume: “O PMO é mais do que uma área de controle, é o maestro que conecta estratégia e execução”.

Segundo ela, o desafio hoje não é só entregar no prazo e no orçamento, mas sim entregar o que gera valor estratégico para o negócio, mesmo em meio à incerteza. “É por isso que falamos de projetos como programas transformacionais: eles envolvem toda a companhia, e o PMO é quem garante que cada área esteja engajada na mesma direção”, explica.

O PMO atua como ponte entre a demanda e a entrega, conectando patrocinadores e equipes de execução e garantindo que as prioridades estejam claras para todos os stakeholders. “Nosso papel é explicar o ‘porquê’ das decisões de priorização. Quando a equipe entende o sentido das mudanças, o engajamento cresce, a resistência diminui e a transformação acontece com mais fluidez”, afirma Fabiana.

Essa abordagem é especialmente relevante em projetos complexos, que costumam envolver múltiplas áreas da companhia, dependências sistêmicas e fatores externos. Fabiana cita casos de mercado, como implementações de ERP que, sem governança, extrapolam orçamento e prazo de forma crítica: “Já vimos projetos de 18 meses se estenderem por cinco anos. É exatamente para evitar isso que o PMO existe”.

Ainda segundo o relatório da ISG, a projeção é um aumento de 1,8% nos orçamentos de TI. O elemento humano representa, em média, US$ 323 milhões desse total, sendo quase metade destinada a profissionais terceirizados ou temporários. No entanto, há uma tendência de contenção nesse tipo de gasto, à medida que as áreas de TI buscam maior eficiência de processos e um controle mais rigoroso das despesas discricionárias.

A especialista destaca a importância de transformar a agenda de riscos em agenda de valor. Prever riscos está mais complexo do que nunca, englobando desde cibersegurança e mudanças regulatórias até ESG, geopolítica e inovações disruptivas. “As empresas não podem se limitar a reagir a crises. Elas precisam antecipar cenários, modelar impactos e transformar riscos em oportunidades de inovação. Quando bem administrados, os riscos ajudam a empresa a ser mais resiliente e até a se diferenciar no mercado”, observa.

Para ela, a gestão integrada de riscos e projetos garante que decisões sejam tomadas com agilidade e base em dados, mesmo em ambientes incertos. Isso envolve colaboração entre diversas áreas, como jurídico, compliance, operações e inovação, para que os riscos sejam entendidos de forma multidisciplinar e tratados de maneira coordenada.

O papel da liderança é ser clara e transparente na comunicação de cenários, oferecendo diretrizes para que times possam agir rapidamente. “Quando há atrasos ou estouros de orçamento, o PMO traz alternativas para o comitê executivo: reduzir escopo, ampliar recursos ou renegociar prazos. Essa capacidade de apresentar cenários é crucial para manter a organização no rumo certo, mesmo em turbulência”, destaca.

Com experiência em grandes transformações para empresas como Vale, Petrobras, Embraer e Porto Seguro, e liderando hoje grandes projetos de modernização de ERP, Fabiana acredita que o futuro requer uma gestão cada vez mais estratégica: “as organizações que conseguirem transformar riscos em vantagem competitiva e alinhar seus projetos ao que gera valor para o cliente terão um diferencial enorme. O PMO é o guardião desse processo, sem ele, o risco é de muito esforço com pouco resultado”.

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