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Governança à mesa e nos templos: o que a tradição japonesa tem a ensinar aos Conselhos.

Por Fernando Röhsig

Em novembro, participarei da minha sexta Jornada Técnica do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) ao Japão. O objetivo é estudar a governança corporativa daquele país, mas a preparação para essa experiência tem mostrado que compreender a governança japonesa exige, antes de tudo, compreender um pouco de sua sociedade.

Mais do que conhecer estruturas, regras e mecanismos de controle, é preciso observar como cultura, história e comportamento influenciam a maneira como as pessoas se relacionam, trabalham e tomam decisões.

Um dos primeiros aprendizados foi justamente desconstruir alguns estereótipos sobre o Japão. A sociedade japonesa é marcada por forte orientação para o coletivo e por relações hierárquicas que influenciam desde a vida cotidiana até o ambiente corporativo. Conceitos como uchi e soto, senpai e kohai, e a distinção entre honne – aquilo que se pensa ou sente – e tatemae – o comportamento esperado publicamente – ajudam a compreender essa dinâmica.

Para quem atua em Conselhos de Administração, Deliberativos, Consultivos, Fiscais ou de Família, há uma provocação importante: quanto da qualidade das decisões depende da cultura que existe ao redor da mesa?

Governança não se resume a normas, indicadores e controles. Envolve pessoas, relações de confiança, capacidade de ouvir, respeito às diferentes posições e responsabilidade diante do coletivo. No Japão, a busca pela harmonia do grupo e a compreensão das posições hierárquicas fazem parte de um contexto cultural que merece ser conhecido antes de qualquer comparação com nossas práticas.

Não se trata de importar um modelo japonês para o Brasil. Trata-se de ampliar o repertório. Ao longo da preparação e, depois, durante a Jornada Técnica, pretendo compartilhar aqui os aprendizados que possam contribuir para uma pergunta que considero essencial para qualquer conselheiro: o que podemos aprender com outras culturas para aprimorar a forma como governamos nossas organizações?

A viagem ainda nem começou. Mas a aprendizagem já está em curso.

Fernando Röhsig – Conselheiro de Administração (CCA – IBGC).

Fernando Rohsig

Conselheiro Independente para Conselho de Administração, Consultivo, Fiscal e de Família. Mestre em Controladoria pela Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS. Especializações em “Managing a Global Business” pela HEC (Paris/França) e Gestão Empresarial, Recursos Humanos, Gestão da Qualidade, Custos e Produção, todos pela UFRGS. Também é pós-graduado em Gestão da Qualidade pela Unisinos. Graduado em Administração de Empresas pela UFRGS. Certificado como Conselheiro de Administração pelo IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa). Realizou cursos complementares pela FIERGS na Stanford School of Business, pela Fundação Dom Cabral na Kellogg School Of Management (Northwestern – Chicago/EUA), Tsinghua University (Beijing/China), Cambridge Univesity (Climate Governance Initiative) e Role of the Chair e Leadership Essentials for Navigating Complexity – IoD Institute of Directors (Londres/Inglaterra) e Univesrity of Pennsylvania - Wharton School – Ai Leadership Program (Pensilvânia/EUA). Professor de Graduação, Pós-Graduação e In Company na UFRGS, ESPM, La Salle, Sicredi, Unicred, Sicoob e Univates. Trabalhos voluntários em diversas entidades, com destaque para Junior Achievement (RS) e IBGC Capítulo Sul. Integrante de grupos do IBGC em Jornadas Técnicas ao Vale do Silício em Ago/18, Israel em Mai/19, Inglaterra em Set/23, China em Out/Nov/24, EUA em Set/25 e Japão em Nov/26. Atuação como executivo por mais de trinta anos em Finanças e Operações. Proprietário da F&F_Allegra_Consultoria. Trabalhos desenvolvidos em nível de conselho e direção para empresas de atuação em cooperativas de crédito, médicos, de infraestrutura de energia renovável (geração e distribuição), empresas de comunicação, telecom, design, varejo (moda), bancos / fintechs, franquias, indústrias de alimentos, metal mecânica, química, explosivos, mineração, equipamentos pesados, odontológicos e de estética, construção civil e de infraestrutura pesada, entre outras.

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