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Governança não é palco.

Por Fernando Röhsig

O ambiente empresarial brasileiro vive uma explosão de comunidades, tribos e redes de relacionamento que prometem conexões, crescimento acelerado e oportunidades de negócios. O problema não está em reunir empreendedores. O problema começa quando a lógica do espetáculo substitui a lógica da construção de valor.

A governança corporativa enfrenta hoje um desafio semelhante. Durante anos, acreditou-se que boas estruturas, políticas, comitês e códigos de conduta seriam suficientes para garantir organizações sólidas. As pesquisas mais recentes mostram outra realidade: as maiores falhas surgem justamente na distância entre a decisão e a execução.

O mesmo acontece com a liderança. Quando a exposição pessoal passa a consumir mais energia do que o fortalecimento da empresa, o networking deixa de ser um instrumento estratégico e transforma-se em consumo de status. A imagem do dirigente cresce enquanto a capacidade competitiva da organização permanece estagnada.

Conselhos de administração e consultivos, investidores e financiadores não procuram celebridades corporativas. Procuram empresas capazes de executar estratégia, administrar riscos, preservar caixa, inovar e gerar resultados sustentáveis. A autoridade de uma liderança não nasce da frequência com que ocupa os palcos, mas da consistência das decisões que produz.

Compliance, ESG e inteligência artificial ampliam esse desafio. Nenhum desses temas será resolvido por discursos inspiradores ou relatórios sofisticados se a organização não possuir uma arquitetura de governança capaz de transformar decisões em execução. Transparência sem entrega torna-se retórica. Prestação de contas sem capacidade de agir transforma-se em burocracia.

Empresas longevas não são construídas pela estética da liderança, mas pela substância de sua gestão. O Brasil precisa de menos vaidade corporativa e de mais líderes que compreendam que governança não é uma vitrine de reputação; é a disciplina silenciosa que conecta estratégia, pessoas e execução.

A imagem pode abrir portas. Mas é a substância da governança que mantém a empresa relevante quando os holofotes se apagam.

Fernando Röhsig – Conselheiro de Administração (CCA – IBGC).

Fernando Rohsig

Conselheiro Independente para Conselho de Administração, Consultivo, Fiscal e de Família. Mestre em Controladoria pela Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS. Especializações em “Managing a Global Business” pela HEC (Paris/França) e Gestão Empresarial, Recursos Humanos, Gestão da Qualidade, Custos e Produção, todos pela UFRGS. Também é pós-graduado em Gestão da Qualidade pela Unisinos. Graduado em Administração de Empresas pela UFRGS. Certificado como Conselheiro de Administração pelo IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa). Realizou cursos complementares pela FIERGS na Stanford School of Business, pela Fundação Dom Cabral na Kellogg School Of Management (Northwestern – Chicago/EUA), Tsinghua University (Beijing/China), Cambridge Univesity (Climate Governance Initiative) e Role of the Chair e Leadership Essentials for Navigating Complexity – IoD Institute of Directors (Londres/Inglaterra) e Univesrity of Pennsylvania - Wharton School – Ai Leadership Program (Pensilvânia/EUA). Professor de Graduação, Pós-Graduação e In Company na UFRGS, ESPM, La Salle, Sicredi, Unicred, Sicoob e Univates. Trabalhos voluntários em diversas entidades, com destaque para Junior Achievement (RS) e IBGC Capítulo Sul. Integrante de grupos do IBGC em Jornadas Técnicas ao Vale do Silício em Ago/18, Israel em Mai/19, Inglaterra em Set/23, China em Out/Nov/24, EUA em Set/25 e Japão em Nov/26. Atuação como executivo por mais de trinta anos em Finanças e Operações. Proprietário da F&F_Allegra_Consultoria. Trabalhos desenvolvidos em nível de conselho e direção para empresas de atuação em cooperativas de crédito, médicos, de infraestrutura de energia renovável (geração e distribuição), empresas de comunicação, telecom, design, varejo (moda), bancos / fintechs, franquias, indústrias de alimentos, metal mecânica, química, explosivos, mineração, equipamentos pesados, odontológicos e de estética, construção civil e de infraestrutura pesada, entre outras.

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