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WRTN levanta US$ 72 milhões e acelera expansão global de serviços de inteligência artificial

Startup sul-coreana captou cerca de 100 bilhões de won em uma rodada Série C e ultrapassou avaliação de 1 trilhão de won. Empresa aposta em assistentes e entretenimento com IA para crescer fora da Coreia do Sul.

A corrida global por serviços de inteligência artificial ganhou mais um concorrente capitalizado. A sul-coreana WRTN Technologies anunciou uma rodada Série C de aproximadamente 100 bilhões de won, equivalentes a US$ 72,2 milhões, para acelerar sua expansão internacional e ampliar o desenvolvimento de produtos baseados em IA.

A operação avaliou a companhia em mais de 1 trilhão de won — cerca de US$ 722 milhões pela conversão usada pela Reuters. Esse ponto merece atenção porque algumas publicações sul-coreanas classificaram a WRTN como um “unicórnio” considerando o marco doméstico de 1 trilhão de won, enquanto em dólares a avaliação informada pela Reuters permanece abaixo de US$ 1 bilhão.

Com o novo aporte, o volume acumulado de recursos captados pela empresa chegou a aproximadamente 230 bilhões de won, ou US$ 166 milhões.

Investidores apostam no crescimento da WRTN

A rodada recebeu novos investidores, entre eles Coreline Ventures e Eugene Asset Management. Também voltaram a investir nomes que já apoiavam a companhia, incluindo Goodwater Capital, Antler Global, Woori Venture Partners e o Korea Development Bank.

A WRTN desenvolveu inicialmente um serviço de IA voltado ao consumidor capaz de reunir diferentes modelos para atividades como pesquisa, produção de documentos e criação de apresentações.

Mas a estratégia da companhia vem se ampliando rapidamente. Além de produtividade e pesquisa, a empresa encontrou no entretenimento baseado em personagens de inteligência artificial uma importante fonte de crescimento.

OOC cresce rapidamente nos Estados Unidos

Um dos principais exemplos dessa estratégia é o OOC, plataforma de entretenimento com IA voltada ao mercado norte-americano.

O serviço foi lançado em maio e, segundo a WRTN, ultrapassou 10 bilhões de won — cerca de US$ 7,2 milhões — em receita mensal em apenas três meses.

A companhia também opera o Crack, serviço de conversação com personagens de IA. Internacionalmente, a estratégia inclui versões específicas para mercados como Japão e América do Norte.

O resultado começa a alterar o perfil financeiro da empresa. A WRTN afirma que suas receitas internacionais já ultrapassaram as vendas obtidas dentro da Coreia do Sul, mostrando que a expansão para outros mercados está deixando de ser apenas uma aposta para se tornar uma parte relevante do negócio.

Receita pode mais que quadruplicar em 2026

As projeções financeiras ajudam a explicar o interesse dos investidores.

A WRTN registrou receita de aproximadamente 47,1 bilhões de won no ano passado. Para 2026, a expectativa da companhia é superar 200 bilhões de won, o que representaria crescimento superior a quatro vezes em apenas um ano caso a projeção seja alcançada.

O dinheiro captado na Série C deverá ser direcionado principalmente à expansão internacional e ao desenvolvimento dos serviços da empresa.

Coreia do Sul busca espaço na corrida global da IA

O crescimento da WRTN também chama atenção porque mostra uma vertente diferente da corrida pela inteligência artificial.

Enquanto empresas como OpenAI, Anthropic e Google concentram investimentos bilionários na construção de grandes modelos, a startup sul-coreana aposta principalmente na camada de aplicações voltadas diretamente ao consumidor.

Essa estratégia permite combinar modelos disponíveis no mercado com interfaces, personagens, ferramentas de produtividade e experiências desenvolvidas para públicos específicos.

Ao mesmo tempo, o crescimento de plataformas de interação com personagens de IA amplia discussões relacionadas à segurança dos usuários. A WRTN informou que prepara proteções adicionais para adolescentes no Crack, incluindo limites de utilização, reforço dos mecanismos de consentimento dos responsáveis e restrições de gastos.

A empresa também criou um comitê com especialistas em ética, filosofia e legislação de IA e trabalha na elaboração de diretrizes de autorregulação para serviços de chat com personagens artificiais.

O aporte mostra que a competição pela próxima geração de produtos de IA não ficará restrita às gigantes dos Estados Unidos. Empresas asiáticas estão tentando transformar conhecimento de mercados locais em plataformas globais — e o rápido crescimento internacional da WRTN será um teste importante para saber se essa estratégia consegue disputar usuários em mercados dominados pelas grandes companhias de tecnologia.

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