
A forte valorização da AMD em 2026 ainda pode ter espaço para continuar, segundo uma nova análise da Raymond James. O banco de investimentos elevou sua recomendação para os papéis da fabricante de semicondutores de “Outperform” para “Strong Buy”, equivalente a uma recomendação de compra forte, e aumentou o preço-alvo das ações de US$ 565 para US$ 641.
A revisão ocorre depois de um ano extraordinário para a companhia. Até esta semana, os papéis da AMD acumulavam valorização superior a 120% em 2026, impulsionados principalmente pelas expectativas relacionadas à inteligência artificial e pela expansão da empresa no mercado de data centers.
A recomendação também teve efeito imediato sobre o mercado. Na terça-feira, 25 de agosto, as ações da AMD avançaram 4,9% e fecharam a US$ 479,18, enquanto investidores reagiam à nova perspectiva apresentada pela Raymond James.
Preço-alvo sobe para US$ 641
A análise foi elaborada pelo analista de semicondutores Simon Leopold, que vê uma oportunidade particularmente forte para a AMD no mercado de processadores destinados a servidores.
A Raymond James estima que o mercado de CPUs para servidores poderá alcançar aproximadamente US$ 201 bilhões em receita em 2030, sustentado por uma taxa composta de crescimento anual de 44% nos próximos anos.
O preço-alvo de US$ 641 representava um potencial de valorização próximo de 40% em relação ao fechamento anterior ao relatório.
Mais importante que o preço-alvo, porém, é a tese utilizada pelo banco para justificar a recomendação.
Enquanto grande parte da atenção do mercado de inteligência artificial está concentrada nas GPUs — segmento dominado pela Nvidia —, a Raymond James acredita que a expansão da IA também poderá provocar uma nova onda de demanda por CPUs de servidores.
IA não depende apenas de GPUs
GPUs são fundamentais para treinamento e inferência de grandes modelos de inteligência artificial, mas não trabalham sozinhas dentro de um data center.
As CPUs continuam responsáveis por diversas operações ao redor dos aceleradores, incluindo gerenciamento de sistemas, preparação e movimentação de dados e coordenação de diferentes componentes da infraestrutura.
Essa função tende a se tornar ainda mais importante com a expansão da chamada IA agêntica, formada por sistemas capazes de executar sequências de tarefas, utilizar ferramentas e tomar determinadas decisões de maneira mais autônoma.
A avaliação da Raymond James é que três fatores devem alimentar a expansão do mercado: demanda tradicional de data centers, processadores responsáveis por hospedar e coordenar aceleradores e CPUs destinadas às novas cargas de trabalho associadas aos agentes de IA.
Isso significa que a explosão dos investimentos em inteligência artificial poderá beneficiar não apenas fabricantes de GPUs, mas também companhias bem posicionadas no mercado tradicional de processadores.
E é justamente aí que a AMD pode encontrar uma segunda frente importante de crescimento.
Raymond James acredita que AMD pode ultrapassar Intel
Outro ponto relevante da análise envolve a disputa histórica entre AMD e Intel.
Segundo a Raymond James, o crescimento atual pode permitir que a AMD ultrapasse a Intel durante 2027, considerando a trajetória de receitas analisada pelo banco.
A avaliação é particularmente significativa porque a Intel dominou durante décadas o mercado de processadores x86 para servidores.
Nos últimos anos, entretanto, a família EPYC, da AMD, conquistou participação crescente em data centers, enquanto grandes provedores de nuvem passaram a diversificar as arquiteturas utilizadas em suas infraestruturas.
A Raymond James considera que a AMD oferece uma das combinações mais atraentes entre crescimento de participação de mercado, exposição aos data centers e potencial de impacto desse avanço sobre seus resultados financeiros.
Receita de data centers bateu recorde
Os números recentes da companhia ajudam a explicar o otimismo.
No segundo trimestre de 2026, a AMD registrou receita total de US$ 11,54 bilhões, crescimento de 50% na comparação anual. A divisão de data centers alcançou um novo recorde, com aproximadamente US$ 6,72 bilhões em receita.
A companhia está exposta simultaneamente a duas grandes transformações desse mercado: o crescimento dos aceleradores para inteligência artificial e a expansão dos processadores EPYC utilizados em servidores convencionais e ambientes de IA.
Essa combinação diferencia parcialmente sua posição da Nvidia, cuja liderança está fortemente associada às GPUs e aos aceleradores.
Nvidia continua sendo a gigante a ser enfrentada
A recomendação positiva para AMD não significa que a Raymond James esteja pessimista com a Nvidia.
O banco também mantém recomendação Strong Buy para a Nvidia e recentemente elevou seu preço-alvo para a companhia.
A diferença está na tese de investimento.
A Nvidia permanece como principal referência no mercado de aceleradores para IA, enquanto a AMD tenta construir uma posição que combina GPUs, CPUs e soluções para data centers.
A entrada da Nvidia no mercado de CPUs para servidores, inclusive com sua arquitetura Vera, adiciona um novo componente competitivo. Ainda assim, a Raymond James acredita que a AMD está particularmente bem posicionada para capturar o crescimento desse segmento.
Valorização de 120% também aumenta os riscos
Apesar do otimismo, a forte valorização das ações exige cautela.
Depois de subir mais de 120% apenas em 2026, uma parcela significativa das expectativas de crescimento futuro já pode estar incorporada ao preço dos papéis.
Isso significa que a AMD precisará transformar as expectativas relacionadas à inteligência artificial em crescimento efetivo de receita e lucros para sustentar avaliações cada vez mais elevadas.
O mercado de semicondutores também permanece altamente competitivo. Além de Nvidia e Intel, empresas como Arm e os próprios gigantes da computação em nuvem estão desenvolvendo arquiteturas e processadores personalizados.
Ainda assim, a nova recomendação mostra uma mudança importante na narrativa sobre a corrida da inteligência artificial. Durante os primeiros anos da explosão da IA generativa, praticamente toda a atenção ficou concentrada nas GPUs. Agora, Wall Street começa a olhar também para toda a infraestrutura necessária ao redor desses aceleradores.
Se a IA agêntica realmente provocar a expansão prevista na demanda por servidores, CPUs poderão ganhar um novo ciclo de crescimento. E, para a Raymond James, a AMD aparece como uma das empresas mais bem posicionadas para capturar essa oportunidade.



