
Um pesquisador de segurança identificou uma vulnerabilidade no Microsoft 365 Copilot que permite que prompts ocultos inseridos em documentos do Word sejam copiados automaticamente para novos arquivos gerados pela inteligência artificial. A técnica, baseada em um ataque de injeção indireta de prompts (Cross-Domain Prompt Injection – XPIA), pode fazer com que documentos produzidos pelo Copilot carreguem instruções maliciosas invisíveis, capazes de influenciar futuras interações com a IA.
A prova de conceito foi desenvolvida pelo pesquisador Håkon Måløy, que inseriu instruções escritas em texto branco sobre fundo branco, praticamente invisíveis para o usuário. Durante o processamento, o Copilot remove a formatação do documento antes de enviá-lo ao modelo de linguagem, fazendo com que o conteúdo oculto seja interpretado normalmente pela IA.
Na demonstração, o prompt escondido ordenava que o Copilot alterasse informações do documento — como reduzir valores financeiros — e, em seguida, copiasse a própria instrução oculta para o novo arquivo gerado, mantendo o texto invisível. Dessa forma, qualquer pessoa que utilizasse esse novo documento em outra interação com o Copilot poderia ser novamente afetada, criando um mecanismo de propagação semelhante ao de um “worm” entre documentos.
Segundo o pesquisador, o problema foi comunicado à Microsoft em março de 2026 e passou por um processo de 144 dias de divulgação responsável. Durante esse período, a empresa implementou alterações na interface do Copilot e atualizou o modelo de linguagem para versões mais recentes, mas as tentativas de mitigação puderam ser contornadas por novas variações do ataque. Até a divulgação da pesquisa, não havia uma correção definitiva para essa classe de vulnerabilidade.
A Microsoft informou que adota uma estratégia de defesa em profundidade, utilizando diferentes camadas de proteção para bloquear instruções maliciosas e manter as respostas alinhadas às solicitações dos usuários. A empresa afirmou que continua aprimorando esses mecanismos e recomenda manter o Microsoft 365 atualizado, tratar documentos recebidos de fontes desconhecidas com cautela e revisar cuidadosamente todo conteúdo gerado por inteligência artificial antes de compartilhá-lo.
Especialistas alertam que a vulnerabilidade evidencia um desafio crescente para sistemas de IA generativa: diferenciar instruções legítimas de comandos ocultos incorporados em documentos aparentemente inofensivos. Com a expansão de agentes inteligentes capazes de criar, editar e compartilhar arquivos de forma autônoma, ataques de injeção indireta de prompts tendem a se tornar uma preocupação cada vez maior para organizações que utilizam ferramentas baseadas em IA.



