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O problema não é dinheiro, é Gestão!

Por Everson Vargas

Sempre que a economia entra em um momento de incerteza, surgem as mesmas manchetes. Juros altos, crédito mais caro, consumo desacelerando e empresas enfrentando dificuldades para crescer.

Não há dúvida de que tudo isso impacta os negócios. O problema é acreditar que esses fatores, sozinhos, explicam por que algumas empresas conseguem atravessar períodos difíceis enquanto outras ficam pelo caminho.

Ao longo da minha carreira, trabalhando em grandes empresas e depois empreendendo, percebi que momentos de crise costumam revelar problemas que já existiam muito antes deles aparecerem.

Quando a economia vai bem, quase todo erro de gestão passa despercebido. As vendas compensam desperdícios, o caixa suporta decisões equivocadas e o empresário acredita que tudo está sob controle. Quando o cenário muda, a margem para errar desaparece e aquilo que antes era apenas uma fragilidade passa a ameaçar a sobrevivência da empresa.

O caixa mostra o resultado da gestão

Muitos empresários olham para o saldo bancário como se ele fosse o problema principal. Na verdade, o caixa costuma ser apenas o reflexo das decisões tomadas ao longo dos últimos meses.

Empresas que vendem sem margem, contratam sem planejamento, acumulam estoques desnecessários ou dependem excessivamente de crédito acabam descobrindo esse problema justamente quando o dinheiro fica mais caro.

Nessa hora, é comum colocar a culpa nos juros ou no mercado, quando a verdadeira origem da dificuldade está na falta de planejamento.

O caixa não mente. Ele apenas mostra, com algum atraso, a qualidade da gestão que foi feita.

Crescer sem planejamento também é um risco

Existe outro erro que vejo com frequência, principalmente em empresas que vivem um bom momento de vendas.

O faturamento aumenta e, junto com ele, aumentam as despesas, as contratações e os investimentos. Como o dinheiro continua entrando, tudo parece fazer sentido.

O problema aparece quando o ritmo de crescimento diminui.

A empresa passa a carregar uma estrutura criada para um cenário que já não existe mais. Aquilo que parecia expansão rapidamente se transforma em um custo difícil de sustentar.

Crescer é importante, mas crescer mantendo o controle financeiro é muito mais importante.

O empresário precisa conhecer os números do próprio negócio

Delegar a operação é saudável. Delegar completamente a gestão financeira não é.

Não estou dizendo que o empresário precisa passar o dia dentro de uma planilha ou fazer o trabalho do financeiro. Mas acredito que ele deve conhecer os principais indicadores da empresa com a mesma naturalidade que conhece seus principais clientes.

Quanto custa adquirir um novo cliente? Qual é a margem de lucro? Quanto tempo a empresa consegue operar caso o faturamento diminua? Qual é o impacto de um investimento antes mesmo de ele acontecer?

Essas perguntas não deveriam ser respondidas apenas pelo contador ou pelo financeiro. Elas fazem parte da rotina de quem lidera um negócio.

A melhor decisão é sempre tomada antes da urgência

Uma das maiores diferenças entre empresas bem administradas e empresas que vivem apagando incêndios está no momento em que as decisões são tomadas.

Quem planeja faz ajustes enquanto ainda tem opções.

Quem deixa para agir apenas quando o problema aparece normalmente já perdeu boa parte da capacidade de escolher.

Essa lógica vale para contratar pessoas, investir em marketing, abrir uma nova unidade e, principalmente, buscar crédito.

O empréstimo nunca deveria ser a primeira solução para um problema de caixa. Na maioria das vezes, ele deveria ser consequência de uma estratégia bem planejada e não uma tentativa de corrigir decisões que poderiam ter sido evitadas.

Gestão sempre será a melhor proteção

Os ciclos da economia vão continuar acontecendo. Em alguns momentos os juros estarão baixos. Em outros, o crédito ficará mais caro e o mercado ficará mais cauteloso.
Isso faz parte do jogo de quem empreende.

O que realmente diferencia empresas resilientes é a capacidade de se preparar antes que o problema apareça. Uma gestão eficiente não elimina as crises, mas faz com que elas deixem de ser uma ameaça para se tornarem apenas mais um desafio a ser administrado.

No fim das contas, empresas raramente quebram apenas porque os juros aumentaram. Elas quebram quando anos de decisões mal planejadas encontram um cenário em que já não existe espaço para errar.

Everson Vargas

Everson Vargas

Founder & CEO VWMídia Marketing Agency Especialista em Estratégia, Execução e Alta Performance Empresarial

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