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O excesso de informação também é um risco de governança.

Por Fernando Röhsig

Durante muitos anos, acreditou-se que um bom conselho de administração ou consultivo era aquele que recebia o maior volume possível de informações. Hoje, essa lógica começa a ser questionada.

Uma pesquisa internacional da Society for Corporate Governance e da Board Intelligence, divulgada em 2026, revela que um dos principais desafios dos conselhos não é a falta de dados, mas o excesso deles. Metade das organizações pesquisadas informou que seus conselheiros consideram os materiais das reuniões longos demais, enquanto muitos apontam que os documentos ainda são excessivamente operacionais e pouco orientados à estratégia.

Esse resultado merece atenção dos empresários brasileiros. Governança corporativa não consiste em produzir relatórios volumosos ou apresentações extensas. Seu propósito é apoiar melhores decisões. Quando o conselho dedica mais tempo lendo centenas de páginas do que discutindo riscos, oportunidades e o futuro do negócio, algo precisa ser revisto.

A própria pesquisa mostra que as organizações mais maduras distribuem os materiais com antecedência adequada, utilizam plataformas seguras para compartilhamento das informações e investem na preparação das pautas para ampliar a qualidade das discussões estratégicas. Outro dado chama a atenção: embora a Inteligência Artificial comece a apoiar a elaboração de resumos executivos e documentos, sua adoção permanece cautelosa. A principal preocupação das empresas continua sendo a confiabilidade das informações produzidas e a proteção dos dados estratégicos do conselho.

A lição é clara. Bons conselhos fazem boas perguntas porque recebem boas informações. A governança cria valor quando transforma dados dispersos em inteligência para decidir.     Nas empresas familiares, esse aprendizado é ainda mais relevante. Em ambientes onde o fundador concentra conhecimento e decisões, organizar informações estratégicas, estabelecer processos e qualificar o debate reduz riscos, fortalece a sucessão e amplia a capacidade de crescimento.

O verdadeiro ativo de um conselho não é a quantidade de documentos sobre a mesa. É sua capacidade de transformar informação em visão estratégica, decisões consistentes e valor sustentável para a empresa. Porque governança não se mede pelo volume de páginas distribuídas antes da reunião, mas pela qualidade das decisões tomadas depois dela.

 

Fernando Röhsig – Conselheiro de Administração (CCA IBGC).

Fernando Rohsig

Conselheiro Independente para Conselho de Administração, Consultivo, Fiscal e de Família. Mestre em Controladoria pela Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS. Especializações em “Managing a Global Business” pela HEC (Paris/França) e Gestão Empresarial, Recursos Humanos, Gestão da Qualidade, Custos e Produção, todos pela UFRGS. Também é pós-graduado em Gestão da Qualidade pela Unisinos. Graduado em Administração de Empresas pela UFRGS. Certificado como Conselheiro de Administração pelo IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa). Realizou cursos complementares pela FIERGS na Stanford School of Business, pela Fundação Dom Cabral na Kellogg School Of Management (Northwestern – Chicago/EUA), Tsinghua University (Beijing/China), Cambridge Univesity (Climate Governance Initiative) e Role of the Chair e Leadership Essentials for Navigating Complexity – IoD Institute of Directors (Londres/Inglaterra) e Univesrity of Pennsylvania - Wharton School – Ai Leadership Program (Pensilvânia/EUA). Professor de Graduação, Pós-Graduação e In Company na UFRGS, ESPM, La Salle, Sicredi, Unicred, Sicoob e Univates. Trabalhos voluntários em diversas entidades, com destaque para Junior Achievement (RS) e IBGC Capítulo Sul. Integrante de grupos do IBGC em Jornadas Técnicas ao Vale do Silício em Ago/18, Israel em Mai/19, Inglaterra em Set/23, China em Out/Nov/24, EUA em Set/25 e Japão em Nov/26. Atuação como executivo por mais de trinta anos em Finanças e Operações. Proprietário da F&F_Allegra_Consultoria. Trabalhos desenvolvidos em nível de conselho e direção para empresas de atuação em cooperativas de crédito, médicos, de infraestrutura de energia renovável (geração e distribuição), empresas de comunicação, telecom, design, varejo (moda), bancos / fintechs, franquias, indústrias de alimentos, metal mecânica, química, explosivos, mineração, equipamentos pesados, odontológicos e de estética, construção civil e de infraestrutura pesada, entre outras.

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