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Mercado brasileiro de cibersegurança amadurece, mas relação entre empresas e hackers éticos ainda é um desafio

Estudo aponta que investimentos cresceram nos últimos cinco anos, porém especialistas defendem programas estruturados de divulgação de vulnerabilidades diante do avanço da IA

O mercado brasileiro de cibersegurança alcançou um novo nível de maturidade nos últimos cinco anos, mas ainda enfrenta um obstáculo importante: a dificuldade de relacionamento entre empresas e pesquisadores independentes de segurança, conhecidos como hackers éticos. A avaliação faz parte de uma análise baseada em cinco edições do Brazilian CyberSecurity Index, que mostra a evolução dos investimentos no setor e os novos desafios trazidos pela inteligência artificial.

Segundo o levantamento, 96% das empresas brasileiras investem atualmente em cibersegurança, ante 72% registrados em 2021. Além disso, 67% das organizações já mantêm investimentos contínuos na área há mais de cinco anos, indicando que a segurança digital deixou de ser um projeto pontual para se tornar uma prioridade estratégica.

Apesar desse avanço, especialistas afirmam que a comunicação entre empresas e pesquisadores ainda é pouco estruturada. Em muitos casos, quando um pesquisador identifica uma vulnerabilidade e tenta informar a organização, o contato é recebido com desconfiança ou tratado como uma ameaça jurídica, em vez de uma contribuição para a segurança.

Na avaliação dos autores do estudo, essa falta de canais oficiais cria incentivos negativos. Sem programas de divulgação responsável de vulnerabilidades ou iniciativas de bug bounty, pesquisadores podem desistir de reportar falhas, enquanto empresas deixam de corrigir problemas antes que sejam explorados por criminosos.

O cenário tornou-se ainda mais complexo com a popularização da inteligência artificial generativa. Ferramentas de IA passaram a permitir a produção em larga escala de relatórios automatizados sobre possíveis vulnerabilidades, aumentando significativamente o volume de notificações recebidas pelas empresas. Embora isso amplie a capacidade de descoberta de falhas, também gera mais ruído e exige processos de validação mais eficientes.

O estudo também chama atenção para a situação dos CISOs (Chief Information Security Officers). Mesmo com o aumento da pressão por resultados, muitos profissionais enfrentam restrições orçamentárias: 39% das empresas não pretendem ampliar seus investimentos em segurança, enquanto 37% projetam aumentos de até 10%, percentual considerado insuficiente para acompanhar a crescente sofisticação das ameaças digitais.

Para os especialistas, o próximo estágio de maturidade do mercado brasileiro não depende apenas de novas tecnologias, mas também da construção de uma relação mais transparente entre organizações e a comunidade de pesquisadores. A adoção de políticas formais de divulgação de vulnerabilidades, programas de recompensa e canais dedicados para o recebimento de relatos tende a reduzir conflitos e acelerar a correção de falhas antes que elas sejam exploradas por agentes maliciosos.

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