
Um estudo da Fundação SOS Mata Atlântica, realizado em parceria com universidades e centros de pesquisa, detectou 25 tipos diferentes de agrotóxicos em amostras de água coletadas ao longo do Rio Tietê. A pesquisa analisou 14 pontos distribuídos entre a nascente, em Salesópolis, e a foz, no Rio Paraná, e concluiu que não há nenhum trecho totalmente livre de contaminação.
Além dos pesticidas, os pesquisadores encontraram microplásticos em todas as amostras e identificaram resíduos de medicamentos e drogas ilícitas, indicando que o rio sofre diferentes formas de poluição ao longo de seu percurso.
Agrotóxicos foram encontrados em diversas regiões
Os pesquisadores analisaram 46 substâncias e encontraram 25 delas nas amostras. Herbicidas, fungicidas e inseticidas foram detectados principalmente nos trechos do Médio e Baixo Tietê, onde predominam atividades agrícolas, como o cultivo de cana-de-açúcar, soja e citros.
Entre os compostos identificados estão substâncias como tebuthiuron, clomazona, atrazina, diuron e tebuconazol, algumas presentes em grande parte dos pontos analisados.
Poluição tem múltiplas origens
Segundo a SOS Mata Atlântica, a qualidade da água é afetada por um conjunto de fatores que vai além do lançamento de esgoto doméstico.
O levantamento aponta a combinação de contaminação agrícola, resíduos plásticos, compostos farmacológicos, poluição microbiológica e matéria orgânica, mostrando que a degradação do rio resulta tanto da ocupação urbana quanto das atividades desenvolvidas ao longo da bacia hidrográfica.
Dados podem orientar políticas públicas
Os pesquisadores afirmam que o estudo oferece um panorama mais detalhado da situação ambiental do Rio Tietê e pode servir de base para ações de monitoramento, preservação e recuperação da qualidade da água.
A entidade também defende a ampliação de políticas de saneamento, o fortalecimento do monitoramento ambiental e a adoção de práticas agrícolas que reduzam o risco de contaminação dos recursos hídricos.



