ColunistasNews
Tendência

Governança em tempos de aceleração tecnológica.

Por Fernando Rohsig

Nas últimas décadas, a inovação deixou de ser um evento esporádico para se tornar uma condição permanente dos negócios. A trajetória tecnológica é reveladora: o transistor surgiu em 1947; o circuito integrado, em 1958; o microprocessador, em 1971; o computador pessoal, nos anos 1980; a internet comercial, nos anos 1990; o smartphone, em 2007; e a inteligência artificial generativa, em 2022.

O aspecto mais relevante dessa linha do tempo não são apenas os produtos lançados, mas a redução contínua do intervalo entre as transformações. O que antes levava décadas para alcançar escala global agora acontece em poucos anos. A velocidade de difusão tecnológica passou a superar a velocidade de adaptação das organizações e das pessoas.

Para a governança corporativa, essa mudança tem implicações profundas. O risco já não está apenas em adotar a tecnologia errada, mas em não desenvolver a capacidade institucional de aprender continuamente. Modelos de negócio, competências profissionais e estruturas organizacionais tornam-se obsoletos em ciclos cada vez mais curtos.

Nesse contexto, três fatores ganham relevância estratégica: aspiração para evoluir, capacidade para adquirir novas competências e envolvimento para participar ativamente da transformação. Empresas que cultivam esses atributos ampliam sua resiliência; aquelas que não o fazem correm o risco de acumular defasagens difíceis de recuperar.

O futuro tende a intensificar essa dinâmica. A inteligência artificial avança da automação de tarefas para a execução de atividades cognitivas complexas. Robôs tornam-se mais autônomos e acessíveis. A computação quântica, embora ainda em estágio inicial, promete resolver problemas hoje inviáveis para os computadores tradicionais. Biotecnologia, novos materiais e sistemas energéticos inteligentes devem ampliar ainda mais o alcance das mudanças.

A questão central para conselhos e executivos deixa de ser “qual será a próxima tecnologia?” e passa a ser “quão preparada está a organização para conviver com mudanças contínuas?”.

No século XX, um profissional presenciava duas ou três grandes revoluções tecnológicas ao longo da carreira. No século XXI, poderá enfrentar uma dezena delas. A vantagem competitiva, portanto, não estará apenas na inovação, mas na capacidade de adaptação permanente de pessoas, empresas e instituições.

Fernando Rohsig

Conselheiro Independente para Conselho de Administração, Consultivo, Fiscal e de Família. Mestre em Controladoria pela Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS. Especializações em “Managing a Global Business” pela HEC (Paris/França) e Gestão Empresarial, Recursos Humanos, Gestão da Qualidade, Custos e Produção, todos pela UFRGS. Também é pós-graduado em Gestão da Qualidade pela Unisinos. Graduado em Administração de Empresas pela UFRGS. Certificado como Conselheiro de Administração pelo IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa). Realizou cursos complementares pela FIERGS na Stanford School of Business, pela Fundação Dom Cabral na Kellogg School Of Management (Northwestern – Chicago/EUA), Tsinghua University (Beijing/China), Cambridge Univesity (Climate Governance Initiative) e Role of the Chair e Leadership Essentials for Navigating Complexity – IoD Institute of Directors (Londres/Inglaterra) e Univesrity of Pennsylvania - Wharton School – Ai Leadership Program (Pensilvânia/EUA). Professor de Graduação, Pós-Graduação e In Company na UFRGS, ESPM, La Salle, Sicredi, Unicred, Sicoob e Univates. Trabalhos voluntários em diversas entidades, com destaque para Junior Achievement (RS) e IBGC Capítulo Sul. Integrante de grupos do IBGC em Jornadas Técnicas ao Vale do Silício em Ago/18, Israel em Mai/19, Inglaterra em Set/23, China em Out/Nov/24, EUA em Set/25 e Japão em Nov/26. Atuação como executivo por mais de trinta anos em Finanças e Operações. Proprietário da F&F_Allegra_Consultoria. Trabalhos desenvolvidos em nível de conselho e direção para empresas de atuação em cooperativas de crédito, médicos, de infraestrutura de energia renovável (geração e distribuição), empresas de comunicação, telecom, design, varejo (moda), bancos / fintechs, franquias, indústrias de alimentos, metal mecânica, química, explosivos, mineração, equipamentos pesados, odontológicos e de estética, construção civil e de infraestrutura pesada, entre outras.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo