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Ex-deputado do Parlamento Europeu que investigava uso do Pegasus foi alvo do spyware

Análise do Citizen Lab aponta que o celular do ex-parlamentar Stelios Kouloglou foi comprometido enquanto integrava comissão que investigava abusos com programas de espionagem

Um ex-integrante do Parlamento Europeu que participava das investigações sobre o uso indevido do spyware Pegasus teve seu celular invadido pelo próprio programa de espionagem. A descoberta foi feita por pesquisadores do Citizen Lab, da Universidade de Toronto, que identificaram múltiplas infecções no dispositivo de Stelios Kouloglou, ex-deputado europeu e jornalista grego.

Segundo o relatório, o aparelho foi comprometido pelo menos três vezes entre outubro de 2022 e março de 2023, período em que Kouloglou integrava o Comitê PEGA, criado pelo Parlamento Europeu para investigar o uso ilegal de softwares de vigilância por governos e outras entidades.

Ataques ocorreram durante trabalhos da comissão

Os pesquisadores afirmam que uma das infecções aconteceu em um momento de intensa atividade do comitê, quando os parlamentares preparavam relatórios e discutiam os resultados das investigações sobre o Pegasus e outros programas de espionagem.

Outro comprometimento ocorreu enquanto Kouloglou viajava entre Atenas e Bruxelas, durante a fase final da elaboração do relatório da comissão.

Origem do ataque segue desconhecida

O Citizen Lab informou que não conseguiu identificar qual governo ou organização utilizou o Pegasus para atacar o ex-parlamentar. No entanto, a investigação encontrou indícios de que o mesmo operador também esteve envolvido em campanhas de espionagem contra jornalistas e ativistas russos e bielorrussos exilados na Europa.

Os especialistas acreditam que a invasão explorou uma vulnerabilidade até então desconhecida em dispositivos da Apple. Posteriormente, a falha foi corrigida pela empresa, que também enviou notificações ao ex-deputado alertando sobre possíveis ataques patrocinados por Estados.

Parlamento Europeu reforça medidas de segurança

Em nota, o Parlamento Europeu informou que monitora continuamente ameaças cibernéticas contra seu ambiente de trabalho e lembrou que, desde 2022, disponibiliza ferramentas para que parlamentares possam verificar se seus dispositivos foram infectados por spyware.

Além disso, um relatório aprovado recentemente recomenda ampliar essas verificações para todos os aparelhos utilizados nas atividades parlamentares.

Caso reacende debate sobre spyware

O Pegasus, desenvolvido pela empresa israelense NSO Group, é comercializado para governos com a justificativa de apoiar investigações contra terrorismo e crimes graves. Entretanto, a ferramenta tem sido alvo de denúncias por suposto uso contra jornalistas, opositores políticos, ativistas e defensores dos direitos humanos em diversos países.

A descoberta de que um integrante da comissão criada justamente para investigar esse tipo de vigilância também foi espionado reforça as preocupações sobre o uso de softwares de espionagem e os desafios para controlar sua utilização.

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