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O varejo do futuro já começou: os principais insights e tendências da FBV 2026

Por Marcele Guarenti

A Feira Brasileira do Varejo (FBV) 2026 é um dos principais eventos de inovação, negócios e tendências do varejo no Brasil. Realizada anualmente em Porto Alegre pelo Sindilojas Porto Alegre em parceria com o Sebrae RS, a feira reúne: varejistas, marcas, startups, especialistas em tecnologia, marketing, experiência do consumidor e retail innovation.

A edição de 2026 teve como tema central: “O futuro do varejo é agora”. A proposta da edição foi mostrar que as grandes transformações do varejo deixaram de ser projeções futuristas e já estão impactando operação, vendas, branding, comportamento do consumidor e experiência phygital no presente.

Principais destaques da FBV 2026

A FBV 2026 evidenciou que a inteligência artificial deixou de ocupar um espaço experimental para se consolidar como infraestrutura estratégica do varejo contemporâneo. A discussão passou a girar em torno de aplicações práticas e mensuráveis, como: previsão de demanda, automação operacional, CRM preditivo, hiperpersonalização, análise comportamental e agentes de IA voltados para atendimento e vendas. No entanto, um dos insights mais sofisticados da feira foi a compreensão de que tecnologia, isoladamente, não gera fidelização. O varejo de alta performance está migrando da simples venda de produtos para a construção de experiências, pertencimento e conexão emocional. Nesse contexto, ganharam protagonismo temas como: lojas sensoriais, branding emocional, ambientação estratégica, experiências imersivas, creator economy e influência digital como canal de conversão e relacionamento. A materialização desse novo cenário pôde ser observada na “Loja Tendência”, ambiente imersivo criado pelo Sebrae RS, que apresentou um modelo de varejo integrado, no qual IA, dados, experiência phygital e personalização em tempo real operam de forma fluida ao longo da jornada do consumidor. A principal mensagem foi clara: a loja física não perdeu relevância, ela evoluiu. De ponto de venda, passa a atuar como espaço de experiência, branding tridimensional, descoberta, comunidade e ativação emocional da marca.

 Tendências mais fortes da FBV 2026

IA invisível e operacional

A FBV 2026 também reforçou uma mudança importante na percepção sobre inovação tecnológica no varejo: a Inteligência Artificial mais valiosa não é necessariamente a mais visível, mas a mais integrada à operação. O protagonismo deixou de estar nas soluções “chamativas” para migrar para uma IA silenciosa, quase imperceptível ao consumidor, porém altamente estratégica nos bastidores do negócio. A tendência aponta para sistemas capazes de operar de forma preditiva e contextual, sustentando decisões em tempo real por meio de precificação dinâmica, previsão inteligente de estoque, automação logística, personalização contextual da jornada e análise comportamental contínua. Nesse novo cenário, a IA passa a funcionar como uma camada estrutural da operação varejista, aumentando eficiência, reduzindo fricções e potencializando experiência e rentabilidade de maneira simultânea.

Hiperpersonalização

O comportamento do consumidor em 2026 revela uma demanda crescente por experiências mais inteligentes, relevantes e personalizadas. O excesso de informação e estímulos tornou a curadoria um ativo estratégico, fazendo com que o público espere marcas capazes de entregar relevância, comunicação individualizada e experiências contextualizadas em todos os pontos de contato. Nesse cenário, as empresas deixam de operar sob uma lógica massificada para atuar a partir da leitura de microcomportamentos, padrões de consumo e intenções específicas de cada perfil de cliente. Essa transformação impacta diretamente áreas como marketing, CRM, social media, experiência física, atendimento e retail media, exigindo operações mais orientadas por dados, comportamento e personalização em tempo real. Mais do que ampliar alcance, o desafio passa a ser construir conexão, precisão e percepção de valor ao longo de toda a jornada do consumidor.

Creator Economy como canal de varejo

A FBV 2026 também evidenciou uma transformação importante no papel dos creators dentro do varejo contemporâneo. Eles deixaram de atuar apenas como canais de mídia ou visibilidade para se consolidarem como distribuidores de desejo, plataformas de confiança, canais de aquisição e ativos estratégicos de branding. A influência passa a operar diretamente na jornada de compra, impactando percepção, consideração e conversão de maneira cada vez mais integrada ao comportamento do consumidor. Nesse contexto, as marcas começam a priorizar creators nichados, construção de autoridade, lifestyle branding e estratégias de humanização capazes de gerar identificação, pertencimento e credibilidade. Mais do que alcance, o mercado passa a valorizar influência com profundidade cultural, conexão emocional e capacidade real de movimentar comunidades e consumo.

Retail Media

Um dos destaques foi a consolidação do retail media como uma das frentes mais estratégicas do varejo contemporâneo. À medida que grandes players passam a monetizar audiência, comportamento e dados proprietários, apps, marketplaces, plataformas de CRM e canais próprios deixam de operar apenas como estruturas de venda para se transformarem em verdadeiros ecossistemas de mídia. Esse movimento redefine profundamente a dinâmica do marketing digital, da aquisição de clientes, do branding e da mídia de performance, criando operações mais integradas entre dados, conteúdo, consumo e conversão. O varejo passa, então, a disputar não apenas mercado, mas também atenção, relevância e distribuição de influência dentro da jornada do consumidor.

Sensorialidade e experiência física premium

A FBV 2026 reforçou que a estética da loja física voltou a ocupar um papel central na estratégia do varejo, porém sob uma nova lógica: menos orientada ao excesso visual e mais focada na construção de experiência, permanência e percepção de valor. A influência do chamado “luxo silencioso” passou a se refletir nos ambientes comerciais por meio de atmosferas mais refinadas, curadoria cuidadosa, sofisticação tátil e identidade sensorial consistente. Nesse novo contexto, a loja deixa de ser apenas um espaço funcional de compra para se tornar um ambiente capaz de despertar emoção, criar memória e fortalecer vínculo simbólico com a marca. A experiência física passa a atuar como extensão do branding, traduzindo posicionamento, desejo e diferenciação de forma sensorial e estratégica.

Insights estratégicos mais relevantes

Durante esses dias, ficou evidente que o varejo entrou definitivamente na era da curadoria. Em um cenário marcado pelo excesso de informação, a variedade não representa mais valor absoluto e passou a dar espaço para a capacidade de selecionar, simplificar, contextualizar e criar significado. As marcas mais desejadas tendem a ser aquelas capazes de filtrar excessos e transformar consumo em experiência relevante. Nesse contexto, branding também assume um novo papel estratégico: deixa de ser apenas comunicação para se consolidar como ativo operacional, impactando diretamente margem, retenção, percepção de valor, fidelização e lifetime value. Por isso, tecnologia, experiência e branding apareceram de forma totalmente integrada ao longo da feira. Ao mesmo tempo, a FBV revelou um consumidor mais complexo: financeiramente mais racional, porém emocionalmente mais exigente. Embora compare preço e avalie custo-benefício com maior rigor, ele também busca identidade, pertencimento, estética, propósito e experiências capazes de gerar conexão genuína. Os números da edição reforçam a força desse movimento: mais de 12 mil visitantes, mais de 130 marcas expositoras, mais de 100 palestrantes, cerca de R$ 83 milhões em negócios gerados e um crescimento de 56% em relação à edição anterior, consolidando a feira como um dos principais termômetros estratégicos do varejo brasileiro.

 

A principal mensagem deixada pela FBV 2026 foi clara: o varejo do futuro será, simultaneamente, tecnológico, humano, sensorial e orientado por dados. As empresas com maior potencial de crescimento nos próximos anos serão aquelas capazes de integrar branding, experiência, inteligência artificial, comunidade, personalização, operação eficiente, creators, retail media e um omnichannel verdadeiramente fluido em uma única estratégia de negócio. O varejo contemporâneo deixa de operar apenas na lógica transacional da venda de produtos para evoluir na construção de ecossistemas de desejo, relacionamento e recorrência. Nesse novo cenário, valor não será definido apenas por preço ou produto, mas pela capacidade da marca de gerar conexão, relevância cultural, experiência consistente e presença integrada ao cotidiano do consumidor.

Marcele Guarenti

Colunista sobre Tecnologia e Inovação na Moda e Varejo no Café com Bytes. Founder da MG Management — uma Agência Boutique Phygital de Moda, Branding e Tecnologia e, também, da Marcele Guarenti Brand — uma curadoria de joias e semijoias de luxo que transforma acessórios em linguagem de estilo, assinatura visual e expressão da marca pessoal. Designer de Moda e Consultora de Imagem, Estilo e Marca Pessoal. E, também, Especialista em Fashion Tech, Branding Estratégico e Inteligência Artificial, atuo como Palestrante e Mentora, traduzindo tendências complexas em estratégias práticas para Marcas, Líderes e Creators da nova era digital. Uma trajetória que une visão criativa e pensamento estratégico, conectando Moda, Branding e Inovação com propósito. Impulsionando o diálogo entre estilo, tecnologia e negócios — inspirando o futuro do Varejo e das Marcas que desejam liderar com inteligência e autenticidade.

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