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Boi com chip na Amazônia: tecnologia rastreia origem da carne e combate desmatamento

Sistema de identificação individual busca garantir cadeia produtiva mais transparente, monitorar fornecedores e atender exigências ambientais do mercado internacional.

A tecnologia de rastreamento individual de bovinos com uso de chips eletrônicos vem ganhando espaço na Amazônia como alternativa para garantir que a produção de carne esteja livre de ligação com o desmatamento ilegal. O sistema permite acompanhar a trajetória do animal desde a fazenda de origem até o abate, ampliando a transparência na cadeia pecuária.

O principal objetivo da iniciativa é resolver um dos maiores desafios do setor: o monitoramento dos chamados fornecedores indiretos, responsáveis pela cria e recria do gado antes da venda aos frigoríficos. Atualmente, grande parte das verificações socioambientais se concentra apenas nos fornecedores diretos, deixando lacunas na rastreabilidade da cadeia produtiva.

O modelo utiliza brincos e chips instalados nas orelhas dos animais, vinculados ao sistema oficial de identificação bovina. A tecnologia cruza informações do gado com dados ambientais, fundiários e trabalhistas das propriedades rurais, incluindo registros de desmatamento, embargos ambientais, terras indígenas e trabalho escravo.

A adoção do rastreamento responde também às pressões do mercado internacional por carne produzida sem associação ao desmatamento, especialmente diante de novas exigências ambientais de compradores estrangeiros. Países e blocos econômicos vêm aumentando as regras para importação de produtos agropecuários com comprovação de origem sustentável.

Apesar dos avanços, especialistas e produtores defendem a criação de uma política pública nacional de rastreabilidade bovina, com incentivos e infraestrutura capazes de ampliar o acesso da tecnologia para pequenos e médios pecuaristas.

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