
Os ministérios das Comunicações e da Saúde anunciaram um acordo para conectar hospitais públicos e permitir a realização de cirurgias robóticas remotas no Sistema Único de Saúde (SUS). O projeto ligará unidades do Hospital de Amor, em São Paulo e Rondônia, utilizando uma rede de alta performance voltada para telecirurgias em tempo real.
Segundo o governo federal, o investimento inicial será de R$ 2 milhões para garantir internet com baixa latência, estabilidade e alta disponibilidade, requisitos essenciais para operações cirúrgicas remotas com robótica médica.
A previsão é que os primeiros procedimentos comecem ainda em julho de 2026. O modelo permitirá que médicos operem pacientes localizados em outros estados por meio de consoles robóticos conectados em tempo real.
O acordo foi assinado pelos ministros Frederico de Siqueira Filho, das Comunicações, e Alexandre Padilha, da Saúde, durante agenda com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o MCom, a iniciativa integra a estratégia de transformação digital da saúde pública brasileira.
De acordo com Alexandre Padilha, a rede utilizada no projeto será baseada em uma infraestrutura de alta performance anteriormente empregada em operações da área de Defesa e agora adaptada para aplicações médicas críticas.
O Hospital de Amor, referência nacional no tratamento oncológico pelo SUS, já realizou quase 4 mil cirurgias robóticas em áreas como urologia, ginecologia, cirurgia torácica e aparelho digestivo.
O avanço ocorre poucos meses após o SUS realizar as primeiras telecirurgias robóticas experimentais da rede pública brasileira, conduzidas pela Faculdade de Medicina da USP em São Paulo. Especialistas avaliam que a conectividade será peça central para democratizar o acesso à cirurgia robótica em regiões distantes do país.
Além das telecirurgias, o governo federal vem ampliando projetos de saúde digital, telessaúde e conectividade hospitalar. Recentemente, o MCom lançou editais para conectar até 3,8 mil unidades básicas de saúde em todo o Brasil.
Especialistas apontam que a combinação entre conectividade avançada, inteligência artificial e robótica médica pode transformar o atendimento especializado no SUS, reduzindo filas e ampliando acesso a procedimentos complexos em regiões remotas.



