
O avanço acelerado da inteligência artificial está criando uma nova forma de desigualdade social e digital, segundo estudos recentes sobre o impacto da tecnologia na sociedade. Pesquisadores alertam que pessoas com maior acesso à educação, alfabetização digital e ferramentas tecnológicas estão se beneficiando muito mais da revolução da IA do que populações vulneráveis.
De acordo com uma pesquisa divulgada pela Universidade Batista de Hong Kong, usuários com maior nível educacional conseguem identificar, compreender e utilizar sistemas de inteligência artificial com mais eficiência no cotidiano. Já grupos de baixa renda frequentemente utilizam plataformas automatizadas sem perceber a presença dos algoritmos e seus impactos nas decisões digitais.
Especialistas afirmam que essa nova “brecha digital” vai além do acesso à internet. O problema agora envolve conhecimento técnico, compreensão de algoritmos e capacidade de adaptação às ferramentas baseadas em IA, algo que pode ampliar desigualdades econômicas e profissionais nos próximos anos.
Pesquisas também apontam que modelos de inteligência artificial podem reproduzir vieses sociais, econômicos e culturais presentes nos dados utilizados em seu treinamento. Em alguns casos, sistemas de IA tendem a favorecer países ricos, grupos com maior representatividade digital e regiões economicamente mais desenvolvidas.
No Brasil, estudos sobre estratificação digital mostram que algoritmos podem reforçar desigualdades relacionadas a renda, gênero e acesso à informação, principalmente em áreas como educação, crédito, emprego e consumo digital.
Especialistas defendem que governos, empresas e instituições de ensino invistam em alfabetização digital e educação em IA para evitar que a tecnologia se torne um fator de exclusão social. Entre as recomendações estão programas públicos de inclusão tecnológica, ensino de IA nas escolas e políticas de transparência algorítmica.



