Após quatro anos, o álbum da Copa do Mundo está de volta às bancas de todo o Brasil. Porém, colecionar os cromos dos craques das seleções nunca foi tão caro. Um envelope contendo 7 figurinhas custa 7 reais, um aumento de 75% em relação ao preço de lançamento dos pacotinhos no ano de 2022. Já para completar o álbum, o custo pode variar entre mil reais a 18 mil, segundo pesquisa da CNN Brasil. Mas quais fatores fizeram com que o álbum de figurinhas virasse um item de luxo?
Entre os anos de 1998 e 2022, a Copa do Mundo contava com 32 seleções. No entanto, a edição deste ano será a primeira com 48 seleções, fazendo com que o álbum passe a ter 980 figurinhas, um salto considerável se comparado às 670 de 2022. Esse aumento reflete diretamente na quantidade de pacotes necessários para fechar a coleção. Até mesmo o preço do “álbum brochura”, a versão básica que antes saía por 12 reais, teve um aumento de 100%, chegando hoje aos 24 reais. Como o torcedor reagirá a esta mudança?
Para o mercado, a conta é puramente matemática; mas para quem vive o esporte, a paixão não se precifica. É necessário analisar o cenário desta Copa, em específico, como sendo a despedida de figuras históricas como Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. Todo amante do futebol entende que o esporte não será o mesmo após este torneio. Enxergo este evento como um divisor de águas entre despedidas e novos arcos, protagonizados pelos nomes dos novos tempos: Lamine Yamal, Vinícius Júnior e Kylian Mbappé. Para o colecionador, estes capítulos precisam ser escritos, ou melhor, colados.
Justamente por isso, a Panini aposta alto. Além do valor emocional, a empresa foca no valor percebido através dos “stickers raros” (nas versões bordô, bronze, prata e ouro), que transformam o hobby em uma espécie de mercado de ativos. A modernização do colecionismo já se apoia fortemente no ecossistema digital: hoje, as velhas tabelas de papel deram lugar a aplicativos de gestão de inventário e grupos de troca instantânea no WhatsApp, que ditam o ritmo das negociações e o valor das “raras”. A pré-venda, impulsionada por influenciadores em eventos como o ocorrido no Pacaembu, mostra que o álbum agora é um produto de entretenimento multimídia.
Para os leitores que consideram o custo do papel proibitivo, a tecnologia entrega uma alternativa acessível e imersiva: o álbum virtual, uma iniciativa online e gratuita, que existe desde 2010, ganha ainda mais relevância neste cenário de inflação dos cromos físicos. A plataforma permite abrir pacotinhos pelo smartphone e trocar figurinhas repetidas com colecionadores do mundo inteiro através de um sistema de trocas globais. A única ressalva é que a edição virtual conta com sete jogadores a menos por seleção em relação à impressa. Contudo, a gamificação dessa experiência prova que o ritual de colecionar soube se reinventar no ambiente digital, democratizando o acesso.
Entre um investimento elevado em “simples papel”, a alternativa virtual e o gasto impulsivo, eu fico com a paixão pelo futebol. Uma paixão que não se explica, se vive e também se coleciona.
Meu álbum chega dia 5 de maio, mas o digital já está aberto no celular. E o seu?



