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Empregos em risco

Por Diego Baldi

Durante muito tempo, a palavra “eficiência” no mundo corporativo significava otimizar processos para que as pessoas pudessem focar no que realmente importava. A promessa recente da inteligência artificial seguia essa mesma cartilha: a tecnologia iria otimizar o trabalho humano, tirando de nós a carga robótica e nos devolvendo o tempo para o pensamento estratégico. Era um discurso bonito nas apresentações de final de ano. Mas a matemática do mundo real tem um senso de humor peculiar.

Nesta semana, o mercado acompanhou a notícia de que gigantes como Meta e Microsoft planejam cortes que podem chegar à casa dos 23 mil empregos. O motivo não é uma crise de demanda ou o fracasso de um produto, mas sim a necessidade de conseguir bancar o custo da própria Inteligência Artificial.

A ironia fina da modernização sem maturidade é que a ferramenta comprada para ajudar a equipe se tornou o motivo pelo qual a equipe precisa ser reduzida. Na prática, o que vemos é uma eficiência corporativa que devora a própria equipe para financiar o servidor. Estamos diante do paradoxo da eficiência canibal: o profissional não está sendo substituído porque a máquina faz o trabalho melhor do que ele, mas porque o orçamento precisa ser liberado para comprar a máquina que, em tese, deveria ajudá-lo. É a estética da inovação cobrando a conta na folha de pagamento.

O mercado vende inovação, mas o problema real costuma estar em contexto, decisão e cultura. Quando o conselho de administração aplaude a adoção massiva de IA às custas de quem construiu a empresa até ali, a tecnologia deixa de ser um motor de produtividade e passa a ser apenas um centro de custo glamouroso.

A automação acelera tudo, mas o humano continua sendo a variável mais imprevisível do negócio. A grande questão que fica para as diretorias não é qual modelo de linguagem vão adotar neste trimestre. O dilema é muito mais analógico.

Sua empresa está comprando inteligência para potencializar as mentes da equipe — ou está demitindo a inteligência da equipe apenas para conseguir pagar a tomada do servidor?

Diego Baldi

Profissional de Tecnologia com mais de duas décadas de experiência em TI, apaixonado por churrasco, comunicação e tudo que envolve boas ideias e bons encontros. Ao longo da minha jornada, atuei em diversos projetos ligados à transformação digital, inovação e segurança da informação, sem nunca perder o olhar curioso e humano sobre as conexões que a tecnologia permite.

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