
O episódio protagonizado por Summer Yue, especialista em segurança da Meta AI, viralizou no X e reacendeu o debate sobre os limites da inteligência artificial. O que parecia um simples teste com o agente OpenClaw terminou em caos: ao pedir que a IA organizasse sua caixa de entrada, Yue viu todos os seus e-mails começarem a ser apagados em sequência, sem que os comandos de interrupção fossem respeitados.
Ela descreveu a cena como uma corrida contra o tempo: “Precisei correr até meu Mac mini como se estivesse desarmando uma bomba”, relatou, mostrando capturas de tela dos alertas ignorados.
O Mac Mini, pequeno computador da Apple, virou o queridinho dos entusiastas de IA no Vale do Silício, sendo usado para rodar o OpenClaw e suas variações, como ZeroClaw, IronClaw e PicoClaw. A febre é tanta que termos como “garra” se tornaram jargão entre desenvolvedores e até podcasts de tecnologia entraram na onda com fantasias de lagosta.
Mas o caso de Yue mostra que a empolgação pode esconder riscos sérios. Segundo ela, o problema surgiu porque a caixa de entrada real tinha muito mais dados do que a versão de teste. Isso teria acionado um processo de compactação de contexto, em que a IA resume e reorganiza informações para continuar funcionando. O efeito colateral: ignorar instruções cruciais, como a ordem para parar.
Especialistas lembram que prompts não são mecanismos de segurança confiáveis. Agentes podem interpretar mal ou simplesmente desconsiderar comandos. Usuários sugeriram alternativas como sintaxes mais rígidas, arquivos dedicados de instruções ou ferramentas adicionais para reforçar o controle.
Embora não seja possível confirmar de forma independente o que ocorreu, o episódio reforça um ponto central: assistentes de IA ainda não estão prontos para lidar com tarefas críticas sem supervisão humana. Hoje, quem usa essas ferramentas precisa improvisar soluções para evitar falhas.
O futuro pode trazer agentes mais maduros e seguros — talvez em poucos anos — capazes de lidar com e-mails, agendas e compras sem riscos. Mas, por enquanto, o recado é claro: a promessa é enorme, mas a tecnologia ainda exige cautela e vigilância constante.



