Após uma série de mudanças de nome, ampla adoção no Vale do Silício e em centros tecnológicos da China, além de controvérsias crescentes, o agente de inteligência artificial de código aberto hoje conhecido como OpenClaw se consolidou como uma das ferramentas mais discutidas do setor em 2026.
Antes chamado de Clawdbot e Moltbot, o agente foi lançado há poucas semanas pelo desenvolvedor austríaco Peter Steinberger. Sua rápida ascensão foi impulsionada tanto por suas capacidades técnicas quanto pela forte repercussão nas redes sociais, em um momento de crescente interesse por agentes de IA capazes de executar tarefas de forma autônoma, tomar decisões e agir em nome dos usuários sem supervisão constante.
Até recentemente, agentes de IA não haviam alcançado o mesmo nível de popularidade dos grandes modelos de linguagem após a popularização do ChatGPT, mas o OpenClaw pode indicar uma virada nesse cenário. Executivos e líderes do setor avaliam que ferramentas desse tipo podem ir além do papel de assistentes pessoais e, em um futuro próximo, operar processos empresariais completos de forma independente.
O que é e como funciona o OpenClaw
Divulgado como “a IA que realmente executa tarefas”, o OpenClaw atua diretamente nos sistemas operacionais e aplicativos dos usuários. Ele é capaz de automatizar atividades como gestão de e-mails e agendas, navegação na internet e interação com serviços digitais.
Para utilizá-lo, é necessário instalar o agente em um servidor ou dispositivo local e conectá-lo a um modelo de linguagem avançado, como o Claude, da Anthropic, ou o ChatGPT — um processo que ainda exige conhecimentos técnicos. As primeiras integrações se concentraram em plataformas de mensagens como WhatsApp, Telegram e Discord, permitindo o controle do agente por comandos de texto.
Relatos de usuários mostram o OpenClaw realizando tarefas práticas, como navegação automatizada na web, resumo de documentos PDF, agendamento de compromissos, compras online e gerenciamento de e-mails. Um dos diferenciais do agente é a chamada memória persistente, que permite reter informações ao longo do tempo e adaptar seu comportamento aos hábitos do usuário, oferecendo funções altamente personalizadas.
Outro ponto de destaque é o fato de o OpenClaw ser de código aberto, ao contrário de soluções proprietárias de concorrentes do mercado. Isso permite que desenvolvedores examinem, modifiquem e ampliem o código livremente.
Crescimento acelerado e adoção global
O caráter aberto do projeto contribuiu para sua rápida disseminação, facilitando a criação de novas integrações e extensões. Embora o software seja gratuito, os usuários arcam com os custos de execução dos modelos de linguagem conectados ao agente.
Atualmente, o OpenClaw soma mais de 145 mil estrelas e cerca de 20 mil forks no GitHub, indicando forte interesse da comunidade, ainda que o número exato de usuários ativos não seja divulgado.
Segundo relatos da imprensa especializada, a adoção teve início no Vale do Silício, onde empresas de tecnologia investem pesadamente em agentes de IA. Em seguida, a ferramenta passou a ser utilizada também na China, com grandes companhias do setor, incluindo provedores de nuvem ligados à Alibaba, Tencent e ByteDance, incorporando funcionalidades avançadas de compras e pagamentos em seus chatbots.
O OpenClaw também pode ser integrado a modelos desenvolvidos localmente, como o DeepSeek, e configurado para operar em aplicativos de mensagens chineses por meio de ajustes personalizados.
Entusiasmo, críticas e alertas de segurança
A recepção inicial ao OpenClaw mistura empolgação e cautela. Parte da comunidade de IA considera a ferramenta superestimada, apontando dificuldades de instalação, alto consumo de recursos computacionais e concorrência com outros agentes disponíveis no mercado.
Por outro lado, defensores afirmam economizar várias horas semanais em tarefas repetitivas, descrevendo o OpenClaw como uma “IA com mãos” e um passo relevante rumo à inteligência artificial geral. Para Kaoutar El Maghraoui, pesquisadora da IBM, o agente demonstra que soluções desse tipo não estão restritas a grandes corporações e podem ser extremamente eficazes quando têm acesso amplo ao sistema.
Especialistas em segurança, no entanto, alertam para riscos significativos. A Palo Alto Networks classificou o OpenClaw como portador de uma “tríade letal” de ameaças, decorrentes do acesso a dados sensíveis, da exposição a conteúdos não confiáveis e da capacidade de comunicação externa aliada à memória persistente. Segundo a empresa — e outras como a Cisco — essas características podem permitir que invasores explorem o agente para executar comandos maliciosos ou vazar informações confidenciais, limitando seu uso em ambientes corporativos.
O impacto do Moltbook e a viralização do debate
A visibilidade do OpenClaw também foi ampliada pelo lançamento do Moltbook, uma rede social voltada a agentes de IA criada pelo empreendedor Matt Schlicht. A plataforma funciona como um fórum onde agentes OpenClaw publicam textos, interagem entre si e recebem votos positivos ou negativos.
O conteúdo produzido varia de relatos sobre tarefas cotidianas até reflexões mais amplas sobre o futuro da humanidade e da IA. Alguns agentes chegaram a lançar seus próprios tokens de criptomoedas, intensificando o debate nas redes sociais.
Enquanto críticos veem o Moltbook como uma ação de marketing, outros acreditam que ele antecipa um novo estágio na relação entre humanos e sistemas autônomos. Em uma publicação compartilhada por Elon Musk, o ex-diretor de IA da Tesla, Andrej Karpathy, descreveu a atividade na plataforma como “algo digno de ficção científica”.
Para analistas do setor, a viralização do Moltbook influenciou diretamente a percepção pública sobre agentes autônomos. “As pessoas veem bots se comunicando e aprendendo de forma quase indistinguível dos humanos, o que as leva a refletir sobre o potencial — positivo e negativo — dessas tecnologias”, afirmou Marc Einstein, chefe global de pesquisa em IA da Counterpoint Research. Segundo ele, o OpenClaw é apenas um entre muitos agentes que estão surgindo, mas representa um marco simbólico na popularização da IA ativa.
Fonte: CNBC



