Alerta de Fraude: o “Golpe do Falso Advogado” está se tornando cada vez mais sofisticado
Um guia prático para confirmar informações, evitar pagamentos indevidos e agir com segurança. Por Calza Neto

Se você tem (ou já teve) um processo na Justiça, este aviso é para você. O “Golpe do Falso Advogado” vem crescendo porque parece real: criminosos usam dados públicos de processos para abordar vítimas pelo WhatsApp e induzir um pagamento via PIX, quase sempre com urgência e promessa de “liberação de valores”.
A lógica do golpe é previsível: como muitos processos têm informações acessíveis em sistemas dos tribunais, o golpista identifica seu nome, o advogado, o número do processo e algum andamento recente. Depois, entra em contato fingindo ser o próprio advogado, alguém do escritório ou “secretária”, muitas vezes com foto clonada e logo do escritório, para passar credibilidade.
O empurrão final é sempre emocional: “tem dinheiro para liberar”, mas “precisa pagar taxa agora”, “vence hoje”, “o cartório está aguardando”, “é só para liberar”. O objetivo é um só: fazer você agir rápido, sem confirmar.
A regra de ouro é simples: nenhum pagamento surpresa, urgente e por WhatsApp deve ser feito sem checagem ativa.
Passo a passo: o que fazer quando você receber a mensagem
1) Pare por 60 segundos e trate como suspeita
Antes de responder, faça uma pausa curta. Golpe funciona na pressa.
Sinais de alerta comuns:
– número desconhecido ou diferente do que você já tem salvo
– tom de urgência (“última chance”, “hoje”, “agora”)
– pedido de PIX “para liberar alvará”, “custas”, “taxa”
– pedido para “não ligar”, “não avisar ninguém”, “resolver por aqui”
– erro de português ou formalidade exagerada fora do padrão do seu advogado
Se houver qualquer um desses sinais, siga para o próximo passo.
2) Não confirme dados pessoais e não envie documentos
Não envie CPF, endereço, foto, selfie, número de processo, nem “só para confirmar”.
Você pode estar alimentando o golpe e abrindo espaço para outras fraudes.
3) Valide a identidade por um canal que você controla
Aqui está o ponto central. Não valide pelo mesmo canal do golpista.
Faça assim:
– Ligue para o telefone fixo/central do escritório (site oficial, contrato, cartão, e-mail antigo).
– Se não tiver, busque o contato em uma fonte confiável: contrato de honorários, e-mail anterior do advogado, papel timbrado que você já recebeu.
– Se o contato for “o mesmo número”, ainda assim ligue (ligação normal) ou peça chamada de vídeo.
Frase prática para responder no WhatsApp sem se expor:
“Por segurança, só confirmo qualquer pagamento por ligação no número oficial do escritório. Pode me enviar o telefone fixo/ramal e o e-mail corporativo para eu retornar?”
Golpista normalmente evita ligação e vídeo.
4) Valide o fato “jurídico” antes de falar em dinheiro
Mesmo se o interlocutor “parecer” o advogado, valide o conteúdo:
– Qual é o ato processual específico? (alvará expedido? decisão? despacho?)
– Qual a data do andamento e em qual tribunal?
– Qual a natureza do pagamento? Custas para quê, exatamente?
– E, principalmente: peça que enviem a informação por e-mail corporativo (domínio do escritório) e aguarde confirmação por um canal já conhecido.
5) Se houver pedido de PIX, aplique o “Protocolo do PIX Seguro”
Se alguém insistir em pagamento, siga este checklist antes de pagar:
Nome do recebedor (PIX): deve ser exatamente o do advogado/ escritório contratados.
CPF/CNPJ: deve bater com o contrato ou com dados já fornecidos oficialmente.
Banco e chave: desconfie de chaves aleatórias, e-mails estranhos e nomes divergentes.
Destinatário terceiro: se pedirem para pagar “para um despachante”, “assistente”, “cartório”, “financeiro terceirizado”, pare imediatamente.
Regra prática:
PIX para terceiro desconhecido = golpe até prova em contrário.
6) Se estiver sob pressão, use a “trava de segurança”
Quando o golpista tentar acelerar (“só hoje”, “vai perder”), responda:
“Eu não realizo pagamentos sob urgência por WhatsApp. Vou confirmar com o escritório por telefone e retorno.”
A urgência é a gasolina do golpe. Tirou a urgência, você desmonta a arma.
Passo a passo: o que fazer se você já pagou
1) Guarde provas imediatamente
prints da conversa inteira (incluindo número e foto do perfil)
comprovante do PIX
chave PIX, banco, nome/CPF/CNPJ do recebedor
áudios, anexos, eventuais boletos
Não apague nada.
2) Registre Boletim de Ocorrência o quanto antes
No B.O., inclua:
data e horário do contato
número de telefone usado
valores e dados do recebedor do PIX
narrativa objetiva do ocorrido
anexos (prints e comprovantes)
3) Avise o seu advogado real
Isso é essencial por dois motivos:
confirmar rapidamente se existe mesmo algum andamento relevante
avaliar medidas adicionais: comunicação formal, preservação de evidências e eventual apuração de acesso indevido a dados do processo (quando aplicável)
4) Organize um “pacote de evidências”
Monte uma pasta com:
– prints em PDF (ou imagens numeradas)
– comprovante do PIX
– número do processo
– nome do advogado verdadeiro e do escritório
– linha do tempo do ocorrido (3 a 6 linhas, com horários)
– Isso acelera polícia, banco e qualquer providência posterior.
Como se proteger de forma preventiva (antes do golpe acontecer)
– Tenha salvo o contato oficial do escritório (telefone fixo/ramal e e-mail).
Combine previamente uma regra com seu advogado:
“Qualquer pedido financeiro só vale por e-mail corporativo + confirmação por ligação.”
Desconfie de qualquer “taxa” para liberar valor com urgência. Isso é o padrão do golpe.



