Golpes com deepfake usam imagem de celebridades para causar prejuízos financeiros
Como vídeos falsos com inteligência artificial estão enganando vítimas e causando prejuízos financeiros reais. Por Calza Neto

Vídeos em que celebridades aparecem recomendando investimentos milagrosos, sorteios exclusivos ou plataformas “seguras” têm se tornado cada vez mais comuns nas redes sociais. O problema é que, na maioria dos casos, essas celebridades nunca disseram nada daquilo. Trata-se de golpes digitais baseados em deepfake, uma tecnologia que vem sendo usada para enganar e causar prejuízos financeiros significativos.
O deepfake utiliza inteligência artificial para criar vídeos, áudios ou imagens falsas, mas extremamente realistas. A tecnologia consegue reproduzir com precisão o rosto, a voz e os gestos de uma pessoa real, tornando a fraude difícil de ser percebida pelo público comum.
Como funciona o golpe
Os criminosos exploram a confiança que figuras públicas despertam. Utilizando vídeos curtos e bem produzidos, simulam depoimentos de artistas, atletas, jornalistas ou empresários famosos, geralmente associando suas imagens a promessas de ganhos rápidos, investimentos sem risco ou oportunidades “imperdíveis”.
Esses conteúdos são disseminados principalmente por redes sociais, anúncios patrocinados e aplicativos de mensagens. Em muitos casos, o golpe segue um roteiro simples: a vítima assiste ao vídeo, acredita na suposta recomendação da celebridade, clica em um link ou inicia uma conversa privada e, convencida da legitimidade da oferta, realiza transferências financeiras. Após o pagamento, o contato desaparece e o dinheiro não é recuperado.
Por que tantas pessoas acreditam
Especialistas apontam que o sucesso desse tipo de golpe está ligado ao fator psicológico. O cérebro humano associa rostos conhecidos à credibilidade. Quando uma figura pública aparece falando com segurança e naturalidade, a tendência é reduzir o nível de desconfiança.
Além disso, os golpistas utilizam linguagem simples, apelos emocionais e senso de urgência, criando a impressão de que a oportunidade precisa ser aproveitada imediatamente. Esse conjunto de elementos torna o deepfake uma ferramenta poderosa para fraudes digitais.
Prejuízos que vão além do financeiro
As consequências não se limitam às perdas econômicas. Muitas vítimas relatam vergonha, medo de denunciar e abalo emocional após perceberem que foram enganadas. Em alguns casos, o prejuízo compromete economias de uma vida inteira.
As celebridades também são afetadas. O uso indevido de imagem pode causar danos à reputação, além de associar seus nomes a golpes e práticas ilegais que jamais autorizaram.
Como se proteger
Autoridades e especialistas em segurança digital alertam para a necessidade de cautela. Entre as principais recomendações estão desconfiar de promessas de lucro fácil, verificar se a informação está disponível em canais oficiais e evitar decisões tomadas sob pressão.
Celebridades, em regra, não oferecem investimentos ou oportunidades financeiras por mensagens privadas ou anúncios improvisados. Vídeos e áudios, por mais realistas que pareçam, não são mais prova de autenticidade.
Um desafio da era digital
O crescimento dos golpes com deepfake revela um desafio mais amplo: a dificuldade de distinguir o que é real do que é artificial no ambiente digital. A tecnologia avança rapidamente, enquanto a conscientização da população ainda caminha em ritmo mais lento.
Especialistas defendem que o enfrentamento desse tipo de fraude passa por educação digital, responsabilização das plataformas, aprimoramento da legislação e maior atenção dos usuários.
Conclusão
Em um cenário em que imagens e vozes podem ser falsificadas com facilidade, a principal proteção continua sendo a informação. Desconfiar, verificar e refletir antes de agir são atitudes essenciais para evitar prejuízos.
No mundo dos deepfakes, ver já não significa acreditar.



