
Pesquisadores da Maldita.es, organização sem fins lucrativos dedicada à segurança online, revelaram que vídeos de crianças geradas por inteligência artificial em contextos sexualizados estão acumulando milhões de curtidas no TikTok. Mesmo com regras rígidas contra exploração infantil, diversas contas publicam vídeos de meninas virtuais vestindo roupas justas, lingeries ou uniformes escolares — muitas vezes acompanhados de links que direcionam para material ilegal, segundo reportagem da CNN.
Contas e conteúdos sob investigação
O estudo identificou mais de uma dúzia de contas compartilhando vídeos sexualizados de crianças criadas por IA, somando centenas de milhares de seguidores e enorme alcance.
“Isso não tem nuances. Ninguém que seja uma pessoa real acharia isso aceitável ou não exigiria remoção.”
— Carlos Hernández-Echevarría, diretor-assistente da Maldita.es, à CNN
Algumas contas utilizavam o recurso “AI Alive” do TikTok para animar imagens estáticas, enquanto outras exploravam ferramentas externas de IA. Nos comentários, pesquisadores encontraram links direcionando usuários a grupos no Telegram, onde conteúdos ilícitos eram oferecidos para venda.
Entre as descobertas do relatório:
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Vídeos mostravam meninas virtuais em poses ou roupas sugestivas
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Comentários levavam a sites externos com exploração infantil
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Preços dos conteúdos variavam entre 50 e 150 euros (R$ 270 a R$ 810)
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Contas acumulavam milhões de curtidas e grandes audiências
TikTok e falhas na moderação
O TikTok afirma manter tolerância zero a abuso ou exploração sexual de menores, incluindo conteúdos gerados por IA. Entre abril e junho de 2025, a plataforma removeu 189 milhões de vídeos e baniu mais de 108 milhões de contas.
Apesar disso, o levantamento da Maldita.es mostrou inconsistências: após denúncia de 15 contas e 60 vídeos, apenas 14 foram inicialmente removidos ou restringidos. Outros 46 vídeos permaneceram no ar, considerados “sem violação” — mesmo com evidências claras do teor sexualizado. Após recursos adicionais, mais três vídeos foram finalmente retirados.
“Não há absolutamente nenhuma possibilidade de um ser humano ver isso e não entender o que está acontecendo. Os comentários são extremamente grosseiros”, reforçou Hernández-Echevarría.
Pressão global por mais segurança online
O relatório surge em um momento de intensificação das cobranças por proteção de crianças na internet. Países como a Austrália adotaram leis que proíbem menores de 16 anos de acessar redes sociais.
A pressão cresce também porque estudos anteriores, como o da Global Witness em outubro, revelaram que o TikTok chegou a sugerir termos altamente sexualizados para usuários de apenas 13 anos, mesmo no modo restrito. A empresa afirma ter removido conteúdos irregulares e reforçado seus sistemas de recomendação.



