
“Governança e gestão possuem funções distintas, mas objetivos comuns.”
Existe uma regra simples na governança corporativa: quem gere não deveria controlar, e quem controla não deveria gerir. Na teoria, parece óbvio. Na prática, porém, essa é uma das maiores dificuldades enfrentadas pelas empresas. Quando uma mesma pessoa define a estratégia, executa as atividades, acompanha os resultados e fiscaliza as próprias decisões, o risco de conflitos aumenta significativamente. Não se trata, necessariamente, de má-fé. O problema está na ausência de contrapontos.
A boa governança nasce justamente da existência de estruturas capazes de questionar, avaliar e monitorar decisões. É por isso que conselhos de administração e consultivos, auditorias, conselhos fiscais e comitês existem. Sua função não é dificultar a gestão, mas proteger a empresa e contribuir para a qualidade das decisões. Empresas familiares enfrentam esse desafio diariamente. Cooperativas também. Em muitos casos, lideranças históricas acabam confundindo sua trajetória pessoal com a própria história da organização. A dificuldade surge quando o crescimento exige novas competências, diferentes perspectivas e mecanismos de controle mais estruturados.
Uma empresa madura compreende que discordar não significa dividir. Pelo contrário: estruturas de governança permitem debates qualificados antes das decisões, reduzem riscos e ampliam a segurança para todos os envolvidos.
Quando governança e gestão trabalham em equilíbrio, a empresa ganha velocidade sem perder o controle. Quando esse equilíbrio desaparece, abrem-se espaços para conflitos, disputas internas e decisões orientadas por interesses individuais, em detrimento dos objetivos coletivos.
O desafio, portanto, não é eliminar os conflitos. É criar mecanismos para administrá-los de forma inteligente, construtiva e alinhada à perenidade da empresa.
“Todo homem que tem poder é levado a abusar dele; vai até encontrar limites.” Montesquieu, autor de “O Espírito das Leis” de 1.748.
Fernando Röhsig – Conselheiro de Administração (CCA – IBGC).



