
Como mencionei na coluna anterior, em novembro estarei com o IBGC no Japão. Mais do que conhecer empresas, modelos de gestão ou estruturas de governança, a proposta é compreender como cultura, comportamento e valores influenciam a maneira de governar.
A preparação já começou. Antes de embarcar, estamos estudando a sociedade japonesa, sua história, seus códigos de relacionamento e sua cultura de negócios. E talvez esteja aí uma das maiores riquezas da jornada: perceber que boas práticas de governança não podem ser simplesmente copiadas de um país para outro. Elas precisam ser compreendidas dentro do ambiente cultural em que foram construídas.
O Japão chama a atenção por uma sociedade fortemente orientada para o coletivo e marcada por relações hierárquicas. Conceitos como honne e tatemae mostram a diferença entre aquilo que se pensa ou sente e aquilo que se expressa publicamente para preservar a harmonia do grupo. Para quem atua em conselhos, essa é uma provocação importante.
Governança é, antes de tudo, uma construção humana. Conselhos são formados por pessoas com experiências, interesses, responsabilidades e visões diferentes. A qualidade das decisões depende não apenas de regras, processos e indicadores, mas também da capacidade de ouvir, respeitar posições divergentes, compreender o contexto e construir decisões que sejam efetivamente executadas.
É justamente por isso que pretendo olhar o Japão não como um modelo a ser importado, mas como uma oportunidade de aprender. Ao longo da jornada, estudaremos governança corporativa, ambiente regulatório e cultura de negócios, passando por Tóquio, Osaka e Kyoto.
A intenção é trazer de volta perguntas – e não apenas respostas. O que os conselhos brasileiros podem aprender com a experiência japonesa? O que faz sentido adaptar? O que não faz? E, principalmente, como diferentes culturas podem ampliar nossa capacidade de governar melhor?
Nas próximas semanas, compartilharei aqui parte dessa preparação e, durante e após a viagem, as reflexões que surgirem no contato com empresas, especialistas e a própria sociedade japonesa. Porque conhecer outros modelos de governança é importante. Mas compreender as culturas que os sustentam pode ser ainda mais importante. Governar melhor também exige aprender a olhar o mundo por outros ângulos.
Fernando Röhsig – Conselheiro de Administração (CCA – IBGC).



