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Exposição das empresas gaúchas a ataques virtuais é 13 pontos percentuais maior que a média nacional

Probabilidade de golpes serem bem-sucedidos no Estado chega a 56%, contra 43% no restante do país

Porto Alegre, setembro de 2026 — As empresas do Rio Grande do Sul apresentam uma probabilidade de 56% de serem vítimas de ataques virtuais bem-sucedidos, índice 13 pontos percentuais acima da média nacional, estimada em 43%. O diagnóstico faz parte da Pesquisa de Riscos Digitais 2026, realizada pelo MITI (Markets Innovation & Technology Institute), think tank brasileiro dedicado à inovação e ao uso responsável de tecnologias emergentes, em parceria com a APCRS (Associação de Profissionais de Cibersegurança do Rio Grande do Sul).

Os resultados preliminares foram apresentados durante o II Cyber Executive Day, realizado no Teatro da PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), em Porto Alegre, e que reuniu cerca de 200 executivos, entre CEOs, CFOs, CISOs e outros profissionais ligados à segurança e à gestão corporativa.

Segundo os responsáveis pelo estudo, o nível de exposição identificado entre as organizações gaúchas tem potencial para representar aproximadamente US$ 1,31 milhão em prejuízos financeiros para o ambiente corporativo do Estado.

Para Nycholas Szucko, líder do Laboratório de Cibersegurança do MITI, o resultado revela que o principal desafio não está necessariamente na adoção de novas tecnologias de proteção, mas na falta de integração da cibersegurança à gestão estratégica das organizações.

Um dos principais sinais desse problema está no índice de exposição relacionado à governança, que chegou a 69% entre as empresas gaúchas. O indicador reúne vulnerabilidades associadas a questões como definição de responsabilidades, direção, supervisão e tomada de decisões relacionadas à segurança digital.

“A fragilidade decorre de quatro lacunas estruturais, sendo que nenhuma delas é tecnológica. Na prática, isso se revela na inexistência de um nível de exposição aceito, formalizado e aprovado pelo Conselho. Não há responsável executivo designado nem rito de supervisão recorrente. O ecossistema não é governado e a recuperação, em caso de ataque bem-sucedido, não é testada”, afirma Szucko.

Diagnóstico regional ajuda a medir distância das melhores práticas

Para Charles Camello, presidente da APCRS, a regionalização do levantamento permite que as empresas tenham uma referência concreta para avaliar sua situação diante das melhores práticas de segurança digital.

“O Rio Grande do Sul é o primeiro Estado a conseguir fazer esse estudo de forma regionalizada. É uma referência importante para medirmos a distância que estamos das melhores práticas. O crime digital não tem fronteiras e migra para onde encontra as maiores facilidades”, afirma.

Segundo ele, a possibilidade de estabelecer um retrato específico do ambiente empresarial gaúcho também contribui para transformar a discussão sobre cibersegurança em uma agenda mais próxima da realidade das organizações.

Pesquisa vai além do assessment

Os números apresentados durante o II Cyber Executive Day ainda são preliminares. A coleta de informações e percepções dos executivos gaúchos continuará até o final de 2026, ampliando a base de dados utilizada no levantamento.

De acordo com Szucko, a proposta da iniciativa também vai além de um diagnóstico convencional de maturidade ou de um assessment de segurança. As empresas participantes têm acesso a uma plataforma que permite visualizar diferentes indicadores relacionados à sua exposição digital, incluindo sua elegibilidade para a contratação de seguro cibernético.

A plataforma também disponibiliza um relatório elaborado com apoio de inteligência artificial, utilizado para estruturar um pitch estratégico que traduza os resultados técnicos em argumentos compreensíveis para a alta administração.

Além disso, especialistas da APCRS oferecem apoio às organizações participantes na interpretação dos resultados e na elaboração de um plano de ação a partir dos indicadores identificados.

“Na prática, a empresa passa a contar com especialistas, sem custo, para entender o contexto do resultado do assessment e construir um plano de ação efetivo para sua jornada de maturidade. A partir daí, poderá buscar no mercado as soluções necessárias — como Pentest, SOC ou EDR — e apresentar aos executivos uma proposta baseada em informações, indicadores de mercado e linguagem de negócio, aumentando as chances de aprovação desses investimentos”, explica Szucko.

A participação na Pesquisa de Riscos Digitais 2026 pode ser realizada por meio do link: https://app.verta.digital/share/e059f2b7-0ee9-4cb2-b6ea-2ff93514dc1c

O relatório completo com a prévia dos resultados está disponível em: https://www.apcrs.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Riscos_Digitais_RS_2026_Conselho_Nycholas_Szucko.pdf

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