
A Oracle voltou ao centro da onda de demissões que atinge o setor de tecnologia. A companhia prepara uma nova rodada de cortes em setembro, enquanto reorganiza custos para sustentar uma das maiores expansões de infraestrutura de inteligência artificial de sua história.
A informação da imagem é parcialmente correta, mas exige uma ressalva importante: a Oracle não confirmou oficialmente um número global de funcionários que serão desligados nesta nova etapa. Relatos internos apontam que gestores receberam orientações para reduzir despesas e identificar posições que poderiam ser eliminadas.
Estimativas que circulam no mercado indicam que a nova rodada pode atingir entre 7 mil e 10 mil profissionais globalmente, mas esses números ainda não foram confirmados pela empresa.
Na Índia, um dos principais centros tecnológicos da Oracle, milhares de posições aparecem entre as potencialmente afetadas.
Oracle já perdeu cerca de 21 mil funcionários
O movimento acontece depois de uma redução significativa no quadro da companhia.
Ao final do ano fiscal de 2026, encerrado em maio, a Oracle contabilizava aproximadamente 141 mil funcionários, contra cerca de 162 mil um ano antes — uma queda de aproximadamente 21 mil pessoas, ou 13% da força de trabalho.
É importante destacar que essa diferença representa a redução líquida do quadro e não necessariamente 21 mil demissões diretas em uma única rodada. O número também pode incluir saídas voluntárias e outras movimentações.
Os gastos relacionados às reestruturações cresceram de maneira expressiva. A Oracle registrou cerca de US$ 1,84 bilhão em custos com rescisões e outras despesas de saída durante o ano fiscal de 2026, contra US$ 374 milhões no período anterior.
A própria Oracle reconhece impacto da IA sobre empregos
A ligação entre inteligência artificial e redução do quadro não é apenas uma interpretação externa.
Em seu relatório anual, a Oracle reconheceu que a adoção e implantação de tecnologias de IA em suas próprias operações já provocaram e podem continuar provocando reduções em sua força de trabalho.
A companhia também associa suas reestruturações a outros fatores, incluindo mudanças de gestão e produtos, desempenho, aquisições e alterações estratégicas.
O cenário mostra uma transformação que está se espalhando pelo setor: empresas estão utilizando inteligência artificial para automatizar determinadas atividades enquanto, simultaneamente, transferem enormes quantidades de capital para construir a infraestrutura necessária para operar essa mesma tecnologia.
US$ 55,7 bilhões destinados à infraestrutura
Os números ajudam a dimensionar essa mudança.
A Oracle investiu aproximadamente US$ 55,7 bilhões em despesas de capital no ano fiscal de 2026, grande parte destinada à expansão de data centers e da infraestrutura necessária para atender à crescente demanda por computação de IA.
No ano anterior, o investimento havia sido de aproximadamente US$ 21,2 bilhões.
A expansão está relacionada principalmente ao crescimento da Oracle Cloud Infrastructure (OCI), plataforma que disputa contratos de computação em nuvem com gigantes como Amazon, Microsoft e Google.
A demanda por capacidade computacional para inteligência artificial fez o negócio de infraestrutura em nuvem da Oracle crescer rapidamente. Ao mesmo tempo, construir instalações capazes de receber dezenas de milhares de GPUs exige investimentos gigantescos em servidores, redes, energia e sistemas de refrigeração.
Empresa levanta bilhões para financiar a corrida pela IA
A escala dos investimentos também pressiona as finanças da companhia.
Durante o último ano fiscal, a Oracle levantou dezenas de bilhões de dólares em dívida e também recorreu ao mercado de ações para financiar sua expansão.
O objetivo é aumentar rapidamente a capacidade da OCI para atender grandes clientes que precisam de infraestrutura destinada ao treinamento e à execução de modelos de inteligência artificial.
A empresa mantém contratos e relacionamentos de infraestrutura com alguns dos principais nomes do setor de IA, incluindo OpenAI, Nvidia, Meta, AMD e xAI.
Essa demanda cria uma situação incomum: enquanto o negócio de nuvem cresce, a necessidade de financiar a infraestrutura necessária para atender aos contratos aumenta a pressão para reduzir despesas em outras áreas.
Mais de 175 mil vagas de tecnologia já desapareceram em 2026
A segunda afirmação da imagem também precisa ser atualizada.
O número de 140 mil cortes no setor tecnológico norte-americano em 2026 já foi superado. Levantamentos mais recentes apontam mais de 175 mil empregos eliminados no setor de tecnologia ao longo do ano, com algumas contagens já ultrapassando 180 mil.
Entre as companhias que anunciaram cortes ou reestruturações estão gigantes como Microsoft, Amazon, Meta, Apple, Oracle e outras empresas do ecossistema digital.
Nem todas as demissões podem ser atribuídas diretamente à inteligência artificial. Redução de custos, reorganizações depois das contratações aceleradas dos últimos anos, desempenho de determinados negócios e mudanças estratégicas também explicam parte dos desligamentos.
A IA, entretanto, tornou-se um componente cada vez mais importante dessa transformação.
O paradoxo da corrida pela inteligência artificial
O caso da Oracle sintetiza um dos grandes paradoxos econômicos da atual corrida pela IA.
Empresas estão gastando dezenas de bilhões de dólares para construir data centers e comprar capacidade computacional enquanto simultaneamente procuram operar com estruturas corporativas menores.
Em outras palavras, parte do capital que anteriormente financiava expansão de equipes está sendo direcionada para chips, servidores, energia e infraestrutura de inteligência artificial.
Ao mesmo tempo, ferramentas baseadas em IA começam a assumir atividades realizadas anteriormente por profissionais em áreas como desenvolvimento de software, suporte, atendimento, análise de dados e operações administrativas.
Isso não significa necessariamente que todos esses empregos desaparecerão. Mas indica uma mudança na composição das equipes e nas habilidades valorizadas pelas grandes empresas de tecnologia.
A Oracle é um exemplo particularmente relevante porque reconheceu formalmente que a adoção de IA pode reduzir sua força de trabalho.
Com uma nova rodada de cortes sendo preparada enquanto os investimentos em infraestrutura continuam crescendo, a companhia evidencia uma tendência que deverá marcar os próximos anos: as gigantes de tecnologia estão investindo cada vez mais dinheiro em capacidade computacional enquanto reavaliam quanto trabalho humano será necessário para operar seus negócios.



