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Figure AI acelera produção do Figure 03 e ultrapassa marca de mil robôs humanoides

Fábrica BotQ avançou de um robô por dia para um ciclo de produção de um Figure 03 por hora em menos de quatro meses, enquanto companhia amplia implantação dos humanoides em ambientes industriais.

A corrida pelos robôs humanoides está deixando a fase dos protótipos para entrar em uma nova etapa: a produção em escala. A Figure AI ultrapassou a marca de 1.000 unidades do Figure 03 produzidas, poucos meses depois de acelerar drasticamente sua linha de fabricação nos Estados Unidos.

A informação da imagem é essencialmente verdadeira, mas há uma diferença importante entre capacidade de produção e produção contínua. A Figure informou que sua fábrica BotQ conseguiu demonstrar um ciclo capaz de produzir um Figure 03 por hora. Isso não significa necessariamente que a unidade opere 24 horas por dia mantendo permanentemente esse ritmo.

Em abril, quando anunciou o avanço, a empresa havia produzido mais de 350 robôs de terceira geração. A marca de mil unidades foi alcançada em julho, indicando que a expansão da fabricação continuou avançando rapidamente.

De um robô por dia para um por hora

A evolução ocorreu em menos de 120 dias.

No início da expansão, a Figure produzia aproximadamente um Figure 03 por dia. Com a reorganização da BotQ, a empresa conseguiu reduzir o ciclo para uma unidade por hora — um aumento de 24 vezes no ritmo potencial de produção.

Para alcançar esse resultado, a companhia criou linhas dedicadas aos principais módulos do robô e desenvolveu um sistema próprio de gerenciamento da fabricação conectado a mais de 150 estações de trabalho.

O processo também inclui mais de 50 pontos de inspeção durante a montagem.

A taxa de aprovação na primeira inspeção ao final da linha já supera 80%, enquanto a linha responsável pelas baterias atingiu índice de 99,3%.

A Figure também informou ter produzido mais de 9 mil atuadores, componentes fundamentais responsáveis pelos movimentos das articulações dos humanoides.

Figure 03 foi pensado para sair do laboratório

A capacidade de fabricação é uma peça fundamental da estratégia da empresa.

O Figure 03 foi desenvolvido não apenas como uma demonstração tecnológica, mas como uma plataforma destinada a operar em ambientes reais, incluindo fábricas, centros de distribuição e, futuramente, residências.

Cada robô utiliza o sistema de inteligência artificial Helix, desenvolvido pela própria Figure para controlar percepção, manipulação de objetos e movimentos.

Essa integração entre hardware e IA é uma das principais apostas da companhia.

Em vez de programar individualmente cada movimento necessário para executar uma tarefa, o objetivo é permitir que o robô interprete o ambiente e adapte suas ações.

BMW virou campo de testes para os humanoides

A indústria automotiva está entre os primeiros ambientes escolhidos para colocar a tecnologia à prova.

A Figure mantém uma parceria com a BMW e já utilizou gerações anteriores de seus robôs na fábrica da montadora em Spartanburg, na Carolina do Sul.

A geração Figure 02 chegou a participar do processo relacionado à produção de mais de 30 mil veículos BMW X3, movimentando dezenas de milhares de peças durante aproximadamente 11 meses de operação.

Com o Figure 03, a companhia pretende ampliar a utilização dos humanoides em tarefas logísticas e industriais.

A estratégia é começar justamente em atividades repetitivas, fisicamente exigentes ou realizadas em ambientes estruturados, onde a automação pode ser implementada de maneira mais previsível.

Produzir mil robôs também significa gerar dados

Existe outro motivo para a Figure querer fabricar milhares de unidades rapidamente: dados.

Robôs trabalhando no mundo real geram informações sobre movimentos, objetos, erros, diferentes ambientes e situações inesperadas.

Esses dados podem posteriormente ser utilizados para melhorar os modelos de inteligência artificial que controlam toda a frota.

A lógica é semelhante ao que aconteceu em outras áreas da IA: quanto maior a utilização da tecnologia, maior a quantidade de informações disponíveis para aprimorar os sistemas.

No caso da robótica, entretanto, esses dados possuem uma característica especial. Eles representam interações físicas com o mundo.

Um robô precisa entender não apenas palavras e imagens, mas também força, equilíbrio, profundidade, peso, movimento e consequências físicas de cada ação.

Próximo desafio é transformar escala industrial em escala comercial

Ultrapassar mil unidades representa um avanço importante, mas ainda existe uma diferença significativa entre fabricar robôs e construir um mercado sustentável para eles.

Nem todas as unidades produzidas necessariamente representam vendas para clientes externos. Parte da frota pode ser utilizada pela própria Figure em desenvolvimento, treinamento, testes e implantação controlada.

Por isso, números como produção, entrega e implantação comercial precisam ser analisados separadamente.

Mesmo assim, a velocidade alcançada pela BotQ demonstra que a indústria de humanoides começa a enfrentar um desafio diferente daquele observado há poucos anos.

Construir um robô capaz de andar, carregar objetos ou realizar demonstrações impressionantes já não é suficiente.

Agora, empresas como Figure, Tesla, Agility Robotics, Apptronik e fabricantes chinesas precisam demonstrar que conseguem fabricar milhares de unidades com qualidade, confiabilidade e custo competitivo.

Robôs humanoides entram na era da fabricação em massa

A marca alcançada pela Figure reforça uma transformação que pode definir a segunda metade desta década.

A inteligência artificial generativa mostrou que softwares podem aprender a escrever, programar, interpretar imagens e executar tarefas digitais. A próxima fronteira é levar capacidades semelhantes para máquinas capazes de interagir fisicamente com o mundo.

É justamente nesse ponto que os humanoides entram na corrida.

Se a indústria conseguir reduzir custos e aumentar confiabilidade, robôs de propósito geral poderão começar a ocupar funções atualmente difíceis de automatizar com máquinas tradicionais.

A chegada do Figure 03 à casa das mil unidades ainda está muito distante da escala da indústria automotiva ou de eletrônicos de consumo. Mas representa um sinal relevante: a competição pelos robôs humanoides começa a sair dos laboratórios e entrar nas linhas de produção.

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