
A disputa pela infraestrutura que sustenta a inteligência artificial está criando uma nova geração de provedores de nuvem especializados. A Groq, conhecida inicialmente pelo desenvolvimento de chips dedicados à inferência de IA, levantou US$ 650 milhões em novo capital para acelerar justamente essa transformação.
O investimento foi anunciado em junho de 2026 e será direcionado principalmente à expansão da GroqCloud, plataforma que fornece capacidade computacional para empresas e desenvolvedores executarem modelos de inteligência artificial. A rodada foi liderada pela Disruptive e pela Infinitum.
O valor confirmado mais recente, portanto, é de US$ 650 milhões, e não US$ 350 milhões como aparece na imagem compartilhada. Além disso, a avaliação de US$ 3,5 bilhões não corresponde aos números públicos mais recentes: em setembro de 2025, a Groq havia levantado US$ 750 milhões com uma avaliação pós-investimento de US$ 6,9 bilhões.
Groq muda sua principal aposta
Fundada em 2016, a Groq ganhou notoriedade desenvolvendo uma arquitetura própria de processamento chamada LPU — Language Processing Unit, projetada especialmente para executar modelos de inteligência artificial com baixa latência.
Essa atividade é conhecida como inferência.
Enquanto o treinamento utiliza grandes quantidades de capacidade computacional para ensinar um modelo, a inferência acontece quando o sistema já treinado recebe uma solicitação e precisa gerar uma resposta.
É justamente nesse segundo mercado que a Groq pretende concentrar seus esforços.
A mudança ganhou força após um acordo de licenciamento não exclusivo firmado com a NVIDIA em dezembro de 2025. Segundo a própria Groq, depois dessa operação a empresa e seus principais investidores decidiram concentrar a estratégia na construção de uma infraestrutura global de inferência de IA.
GroqCloud vira o centro dos negócios
A nova estratégia coloca a GroqCloud como principal plataforma da companhia.
Em vez de depender da venda direta de processadores, a empresa passa a comercializar capacidade computacional pela nuvem.
Na prática, desenvolvedores podem utilizar a infraestrutura para executar modelos de IA sem precisar comprar, instalar e administrar seus próprios aceleradores.
A Groq afirma operar atualmente 13 data centers distribuídos pela América do Norte, Europa, Oriente Médio e região Ásia-Pacífico. A infraestrutura atende mais de 5 milhões de desenvolvedores e milhares de empresas focadas em inteligência artificial.
Segundo a companhia, sua rede já processa trilhões de tokens por semana.
Nova meta é chegar a 200 MW
O novo capital será utilizado principalmente para ampliar a capacidade dos data centers já existentes.
A Groq pretende instalar sua tecnologia mais recente de inferência, incluindo sistemas LPX da NVIDIA, e aumentar significativamente a capacidade disponível aos clientes.
A meta anunciada é alcançar aproximadamente 200 megawatts de infraestrutura até o final de 2027.
Esse número ajuda a entender a dimensão da transformação pela qual empresas de inteligência artificial estão passando.
A competição não acontece mais apenas dentro dos laboratórios responsáveis pelos modelos. Ela também envolve quem possui data centers, energia, chips e capacidade suficiente para executar bilhões de solicitações de IA de maneira rápida e economicamente viável.
A relação com a NVIDIA mudou o cenário
A trajetória recente da Groq também é marcada por uma relação incomum com uma de suas principais concorrentes.
Em dezembro de 2025, Groq e NVIDIA firmaram um acordo de licenciamento da tecnologia de inferência da empresa. A operação também envolveu a saída de executivos importantes da Groq para a NVIDIA.
Entre eles estava o fundador Jonathan Ross.
A Groq, entretanto, permaneceu operando de forma independente e passou a ser liderada por Adam Winter.
Agora, a relação avançou novamente: a GroqCloud também está incorporando sistemas da NVIDIA, permitindo que clientes utilizem diferentes tecnologias de processamento dentro da plataforma.
O movimento transforma a Groq de concorrente direta no mercado de chips em uma empresa cada vez mais posicionada como provedora especializada de infraestrutura de inferência.
Inferência vira uma das grandes disputas da IA
O reposicionamento acontece em um momento estratégico.
À medida que modelos como ChatGPT, Claude, Gemini e diferentes alternativas abertas alcançam milhões de usuários, cresce também o volume de processamento necessário para executar esses sistemas.
Isso cria dois grandes mercados.
Um deles está no treinamento dos modelos de fronteira, atividade extremamente intensiva em processamento.
O outro está na inferência: executar esses modelos milhões ou bilhões de vezes depois que eles estão prontos.
A Groq aposta que essa segunda categoria se transformará em um dos maiores mercados de infraestrutura tecnológica dos próximos anos.
Mercado busca alternativas para reduzir custo da IA
A estratégia não é exclusiva da Groq.
Novos provedores especializados, conhecidos como neoclouds, estão tentando oferecer infraestrutura otimizada para cargas específicas de inteligência artificial.
O movimento ocorre enquanto empresas procuram reduzir o custo de execução de modelos, especialmente com o crescimento das aplicações baseadas em agentes de IA.
A tendência também vem atraindo investidores. Empresas especializadas em infraestrutura de inferência estão conseguindo captar centenas de milhões de dólares para financiar data centers e aceleradores dedicados a esse mercado.
Nesse cenário, desempenho por dólar, consumo energético e velocidade de geração dos tokens tornam-se tão importantes quanto a capacidade dos próprios modelos.
Groq entra em uma nova fase
A Groq passou anos tentando desafiar o domínio das GPUs com uma arquitetura própria.
Agora, sua estratégia é diferente.
A companhia pretende transformar o conhecimento acumulado em inferência em uma plataforma global de nuvem, combinando infraestrutura própria e tecnologias da NVIDIA para atender milhões de desenvolvedores.
A captação de US$ 650 milhões mostra que investidores continuam apostando nesse mercado.
Para o setor de tecnologia, a transformação da Groq também representa uma tendência maior: a próxima disputa da inteligência artificial não será apenas para construir os melhores modelos, mas para descobrir quem conseguirá executá-los de forma mais rápida, barata e escalável.



