
A disputa entre Epic Games e Apple ganhou um novo capítulo após o lançamento da Epic Games Store Mobile para iPhones no Brasil. O CEO da Epic Games, Tim Sweeney, acusou a Apple de atuar junto ao governo dos Estados Unidos para pressionar o Brasil e preservar seu modelo de negócios na App Store.
Segundo Sweeney, a Apple estaria utilizando lobistas em Washington para influenciar autoridades americanas e enfraquecer decisões regulatórias brasileiras que obrigaram a empresa a abrir espaço para lojas de aplicativos de terceiros no iOS. Durante coletiva com jornalistas brasileiros, o executivo afirmou que a fabricante do iPhone tenta “destruir as boas relações” entre Brasil e Estados Unidos para manter práticas que considera anticompetitivas.
As declarações ocorreram após a chegada da Epic Games Store ao iOS no Brasil, resultado de um acordo firmado entre a Apple e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A medida permitiu que desenvolvedores distribuíssem aplicativos por lojas alternativas e utilizassem sistemas de pagamento diferentes da App Store, embora ainda existam regras e comissões definidas pela Apple.
Sweeney também criticou as taxas cobradas pela Apple sobre compras realizadas fora da App Store. Segundo ele, a empresa continua impondo comissões consideradas excessivas mesmo quando não processa diretamente os pagamentos, o que, na visão da Epic, reduz a efetividade das medidas adotadas pelo Cade para ampliar a concorrência no ecossistema do iPhone.
A Apple negou as acusações. Em comunicado, a empresa classificou as declarações da Epic Games como falsas e afirmou que continua trabalhando em conjunto com autoridades brasileiras para cumprir os compromissos assumidos, mantendo a segurança e a privacidade dos usuários do iOS.
A rivalidade entre Apple e Epic Games começou em 2020, quando a desenvolvedora do Fortnite contestou as regras da App Store e iniciou uma série de processos judiciais em diferentes países. Desde então, decisões regulatórias na União Europeia, Japão e Brasil abriram espaço para modelos alternativos de distribuição de aplicativos, ampliando a pressão sobre a Apple para flexibilizar seu ecossistema.



