
A entrada em vigor da reforma tributária inaugura um novo ciclo para as empresas brasileiras. Embora 2026 tenha sido concebido como um período de transição operacional, com adaptação de sistemas, documentos fiscais e processos, a definição das alíquotas de referência permanece um dos principais fatores de incerteza para o planejamento corporativo. A legislação prevê uma fase inicial de testes da CBS e do IBS, enquanto as alíquotas de referência serão calibradas ao longo da implementação do novo modelo.
Para a alta administração, a questão vai além da conformidade tributária. Sem previsibilidade sobre a carga efetiva, decisões relacionadas a orçamento, fluxo de caixa, formação de preços, investimentos e contratos de longo prazo tornam-se mais complexas. Em um ambiente de margens pressionadas, a ausência de parâmetros definitivos amplia o custo da incerteza.
Parte do mercado manifesta preocupação de que, diante do desafio de equilíbrio das contas públicas, as alíquotas de referência possam ser definidas em patamares capazes de elevar a arrecadação além do estritamente necessário para substituir os tributos atuais. Essa hipótese faz parte do debate econômico e fiscal, mas sua eventual materialização dependerá das decisões institucionais previstas no processo de implementação da reforma.
Independentemente do desfecho, uma conclusão já se impõe: a governança corporativa precisará assumir protagonismo. Conselhos de administração e consultivo, comitês de auditoria e áreas de riscos devem incorporar cenários tributários às decisões estratégicas, avaliando impactos sobre competitividade, investimentos e geração de caixa.
Também ganha relevância a atuação coletiva das empresas por meio de entidades representativas e associações setoriais. O diálogo técnico e institucional tende a ser um importante mecanismo para defender previsibilidade, segurança jurídica e neutralidade tributária – princípios essenciais para que a reforma fortaleça a competitividade da economia, sem criar novas fontes de incerteza para quem produz, investe e gera empregos.
Fernando Röhsig – Conselheiro de Administração (CCA IBGC).



