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Reforma tributária exige das empresas mais do que adaptação fiscal: requer governança estratégica.

Por Fernando Röhsig

A entrada em vigor da reforma tributária inaugura um novo ciclo para as empresas brasileiras. Embora 2026 tenha sido concebido como um período de transição operacional, com adaptação de sistemas, documentos fiscais e processos, a definição das alíquotas de referência permanece um dos principais fatores de incerteza para o planejamento corporativo. A legislação prevê uma fase inicial de testes da CBS e do IBS, enquanto as alíquotas de referência serão calibradas ao longo da implementação do novo modelo.

Para a alta administração, a questão vai além da conformidade tributária. Sem previsibilidade sobre a carga efetiva, decisões relacionadas a orçamento, fluxo de caixa, formação de preços, investimentos e contratos de longo prazo tornam-se mais complexas. Em um ambiente de margens pressionadas, a ausência de parâmetros definitivos amplia o custo da incerteza.

Parte do mercado manifesta preocupação de que, diante do desafio de equilíbrio das contas públicas, as alíquotas de referência possam ser definidas em patamares capazes de elevar a arrecadação além do estritamente necessário para substituir os tributos atuais. Essa hipótese faz parte do debate econômico e fiscal, mas sua eventual materialização dependerá das decisões institucionais previstas no processo de implementação da reforma.

Independentemente do desfecho, uma conclusão já se impõe: a governança corporativa precisará assumir protagonismo. Conselhos de administração e consultivo, comitês de auditoria e áreas de riscos devem incorporar cenários tributários às decisões estratégicas, avaliando impactos sobre competitividade, investimentos e geração de caixa.

Também ganha relevância a atuação coletiva das empresas por meio de entidades representativas e associações setoriais. O diálogo técnico e institucional tende a ser um importante mecanismo para defender previsibilidade, segurança jurídica e neutralidade tributária – princípios essenciais para que a reforma fortaleça a competitividade da economia, sem criar novas fontes de incerteza para quem produz, investe e gera empregos.

Fernando Röhsig – Conselheiro de Administração (CCA IBGC).

Fernando Rohsig

Conselheiro Independente para Conselho de Administração, Consultivo, Fiscal e de Família. Mestre em Controladoria pela Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS. Especializações em “Managing a Global Business” pela HEC (Paris/França) e Gestão Empresarial, Recursos Humanos, Gestão da Qualidade, Custos e Produção, todos pela UFRGS. Também é pós-graduado em Gestão da Qualidade pela Unisinos. Graduado em Administração de Empresas pela UFRGS. Certificado como Conselheiro de Administração pelo IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa). Realizou cursos complementares pela FIERGS na Stanford School of Business, pela Fundação Dom Cabral na Kellogg School Of Management (Northwestern – Chicago/EUA), Tsinghua University (Beijing/China), Cambridge Univesity (Climate Governance Initiative) e Role of the Chair e Leadership Essentials for Navigating Complexity – IoD Institute of Directors (Londres/Inglaterra) e Univesrity of Pennsylvania - Wharton School – Ai Leadership Program (Pensilvânia/EUA). Professor de Graduação, Pós-Graduação e In Company na UFRGS, ESPM, La Salle, Sicredi, Unicred, Sicoob e Univates. Trabalhos voluntários em diversas entidades, com destaque para Junior Achievement (RS) e IBGC Capítulo Sul. Integrante de grupos do IBGC em Jornadas Técnicas ao Vale do Silício em Ago/18, Israel em Mai/19, Inglaterra em Set/23, China em Out/Nov/24, EUA em Set/25 e Japão em Nov/26. Atuação como executivo por mais de trinta anos em Finanças e Operações. Proprietário da F&F_Allegra_Consultoria. Trabalhos desenvolvidos em nível de conselho e direção para empresas de atuação em cooperativas de crédito, médicos, de infraestrutura de energia renovável (geração e distribuição), empresas de comunicação, telecom, design, varejo (moda), bancos / fintechs, franquias, indústrias de alimentos, metal mecânica, química, explosivos, mineração, equipamentos pesados, odontológicos e de estética, construção civil e de infraestrutura pesada, entre outras.

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