NewsTelecom
Tendência

Governo abre edital de R$ 50 milhões para levar internet de alta velocidade a 1.832 postos de saúde

Recursos do Fust serão usados para conectar Unidades Básicas de Saúde em mais de 800 municípios de 26 estados. Projeto prevê banda larga, Wi-Fi e velocidade mínima de 300 Mbps, com prioridade para unidades que ainda não possuem acesso adequado à internet.

O governo federal abriu uma nova frente para reduzir a falta de conectividade na saúde pública brasileira. Os ministérios das Comunicações e da Saúde lançaram um edital de aproximadamente R$ 50 milhões para levar internet de alta velocidade a 1.832 Unidades Básicas de Saúde (UBS).

As unidades estão distribuídas por mais de 800 municípios de 26 estados, com atenção especial aos postos que atualmente não possuem conexão adequada.

Os recursos virão do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), mecanismo financiado principalmente por contribuições das empresas do setor de telecomunicações e destinado à expansão da infraestrutura de conectividade no país.

A informação apresentada na publicação está correta. O edital foi publicado no Diário Oficial da União em 2 de setembro e as empresas interessadas têm até 9 de setembro de 2026 para apresentar propostas.

Internet mínima de 300 Mbps

O projeto estabelece uma velocidade mínima de 300 Mbps para as conexões das unidades atendidas.

Além do acesso à internet, a contratação contempla a instalação de infraestrutura Wi-Fi dentro das UBS, permitindo que diferentes equipamentos e profissionais utilizem a rede.

Os contratos terão duração de dois anos.

A implantação deverá começar ainda em 2026.

Embora algumas comunicações oficiais mencionem a possibilidade de soluções por fibra óptica ou satélite conforme as condições das localidades, a prioridade é entregar conectividade de alta capacidade, especialmente onde a infraestrutura convencional é mais difícil de instalar.

Prioridade para UBS desconectadas

Um dos principais critérios é atender unidades que atualmente não possuem acesso adequado.

Esse problema é particularmente importante em áreas rurais, comunidades ribeirinhas, regiões indígenas e localidades afastadas dos grandes centros urbanos.

Nesses lugares, a ausência de conectividade não representa apenas dificuldade para acessar a internet.

Ela pode impedir ou limitar a utilização de sistemas fundamentais para o funcionamento da saúde pública.

Prontuários eletrônicos, sistemas de regulação, plataformas administrativas, acesso a exames e serviços digitais dependem cada vez mais de uma conexão estável.

Internet também significa acesso à telessaúde

A conectividade das UBS possui importância adicional com a expansão da telessaúde e da telemedicina.

Uma unidade localizada em uma pequena cidade pode utilizar infraestrutura digital para conectar profissionais locais a especialistas que estão a centenas ou milhares de quilômetros.

Isso pode ser especialmente importante em regiões com escassez de determinadas especialidades médicas.

Em vez de deslocar imediatamente um paciente para outro município, determinados casos podem receber uma avaliação inicial remota.

A conectividade também permite troca de exames, imagens, informações clínicas e acompanhamento entre diferentes níveis do sistema de saúde.

Prontuário eletrônico depende de infraestrutura

A digitalização da saúde brasileira também exige que as unidades estejam conectadas.

Um dos objetivos do SUS é ampliar a integração de informações para que o histórico do paciente possa acompanhar sua jornada pelo sistema.

Na prática, porém, uma plataforma nacional de dados possui pouca utilidade para uma UBS sem conexão confiável.

É por isso que infraestrutura de telecomunicações está se tornando parte cada vez mais importante da própria infraestrutura de saúde.

O posto pode possuir computadores e sistemas modernos, mas sem internet adequada parte dessa capacidade permanece inutilizada.

Investimento médio supera R$ 27 mil por UBS

Se os aproximadamente R$ 50 milhões previstos forem simplesmente divididos pelas 1.832 unidades, o valor médio fica em torno de R$ 27,3 mil por UBS durante o período contratual.

Esse cálculo, entretanto, não representa o preço definitivo de cada instalação.

O custo varia conforme localização, infraestrutura disponível, tecnologia utilizada e propostas apresentadas pelas empresas.

Conectar uma UBS em uma área urbana onde existe fibra passando nas proximidades é muito diferente de levar conectividade para uma comunidade isolada.

Em regiões remotas, o chamado último quilômetro pode representar uma parcela significativa do custo total.

Oportunidade também para provedores regionais

O edital possui importância para o setor brasileiro de telecomunicações.

Empresas prestadoras de serviços de telecom que atendam aos requisitos da seleção poderão disputar os lotes.

Isso abre espaço não apenas para grandes operadoras, mas potencialmente para provedores regionais de internet, que possuem forte presença em municípios pequenos e médios.

O Brasil construiu nos últimos anos um dos mercados de provedores regionais mais pulverizados do mundo.

Em várias cidades do interior, pequenos e médios ISPs possuem capilaridade superior à das grandes operadoras em determinadas localidades.

Essa infraestrutura pode ser importante para conectar postos de saúde afastados das regiões centrais.

Fust começa a aparecer mais diretamente na inclusão digital

O Fust foi criado em 2000 para financiar a universalização dos serviços de telecomunicações.

Durante muitos anos, porém, grande parte dos recursos acumulados não foi efetivamente aplicada em projetos de conectividade na escala originalmente esperada.

Mudanças legais ampliaram as possibilidades de utilização do fundo, incluindo investimentos relacionados à expansão da banda larga.

Agora, o mecanismo começa a aparecer de forma mais concreta em projetos de inclusão digital.

Na saúde, o desafio é conectar unidades que ficaram à margem da expansão comercial tradicional das redes.

Nova rodada complementa iniciativa anterior

O edital de setembro não é uma ação isolada.

Em uma rodada anterior, aberta em maio, 30 empresas foram selecionadas para conectar 1.983 unidades de saúde.

A nova chamada adiciona outras 1.832 UBS.

Somadas, as duas iniciativas podem alcançar 3.815 unidades, embora sejam projetos e processos de contratação distintos.

Isso mostra que o governo está adotando uma estratégia em etapas para ampliar a cobertura.

Escolas também recebem recursos do fundo

A saúde é apenas uma das áreas em que o Fust está sendo utilizado.

O fundo também participa da estratégia de conectividade das escolas públicas.

Segundo dados divulgados pelo Ministério das Comunicações, mais de R$ 600 milhões já foram direcionados à expansão da banda larga em mais de 17 mil escolas públicas, dentro das iniciativas de conectividade educacional.

Saúde e educação aparecem como prioridades naturais porque a ausência de internet nesses locais amplia desigualdades já existentes.

Conectar não basta: serviço precisa funcionar

O desafio, entretanto, não termina com a instalação.

Uma UBS precisa de conexão estável, baixa indisponibilidade, Wi-Fi adequadamente dimensionado e suporte técnico.

Uma rede utilizada apenas para tarefas administrativas possui requisitos diferentes daquela usada para telemedicina, transmissão de imagens médicas e acesso contínuo a prontuários eletrônicos.

Também será necessário garantir manutenção ao longo dos dois anos previstos nos contratos.

Por isso, indicadores de qualidade serão tão importantes quanto a quantidade de unidades formalmente conectadas.

Cibersegurança passa a ser outro desafio

Existe ainda um efeito inevitável da digitalização.

Quanto mais postos de saúde entram na rede, maior se torna a superfície de ataque.

Computadores conectados podem armazenar ou acessar informações médicas extremamente sensíveis.

Redes Wi-Fi mal configuradas, equipamentos desatualizados, senhas fracas ou ausência de segmentação podem transformar uma melhoria de conectividade em um novo vetor de risco.

Isso significa que a expansão precisa ser acompanhada por políticas de segurança da informação, controle de acesso, atualização de sistemas e proteção de dados pessoais.

A Lei Geral de Proteção de Dados considera informações de saúde dados pessoais sensíveis, aumentando a responsabilidade sobre seu tratamento.

Conectividade passa a fazer parte da infraestrutura básica da saúde

O edital de R$ 50 milhões representa algo maior do que simplesmente instalar internet em postos de saúde.

O SUS está se tornando progressivamente dependente de infraestrutura digital.

Prontuário eletrônico, telessaúde, regulação, prescrição, acompanhamento de pacientes, gestão de medicamentos e integração entre unidades exigem conectividade.

Nesse cenário, uma UBS desconectada corre o risco de ficar parcialmente isolada não apenas da internet, mas do próprio ecossistema digital da saúde pública.

Ao direcionar recursos do Fust para 1.832 unidades, o governo tenta reduzir justamente essa diferença.

O desafio seguinte será garantir que os 300 Mbps previstos no edital se transformem efetivamente em melhores serviços para profissionais e pacientes, especialmente nas regiões onde a distância ainda é uma das maiores barreiras ao acesso à saúde.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo