
Um projeto brasileiro pretende transformar relógios e anéis inteligentes em aliados da medicina preventiva. A iniciativa, chamada Viva Bem, reúne pesquisadores da Unicamp, da FAPESP e da Samsung para desenvolver algoritmos de inteligência artificial capazes de identificar alterações no organismo antes mesmo do surgimento dos primeiros sintomas de diversas doenças.
A proposta é utilizar os sensores já presentes em dispositivos vestíveis para monitorar continuamente informações como frequência cardíaca, temperatura corporal, pressão arterial, movimentos, qualidade do sono e outros indicadores fisiológicos. Com o auxílio da IA, esses dados serão analisados em tempo real para detectar padrões associados ao desenvolvimento de doenças.
Entre as condições que poderão ser identificadas precocemente estão a doença de Parkinson, distúrbios cardíacos, diabetes, alterações no sono, ansiedade e estresse. Segundo os pesquisadores, a detecção antecipada pode aumentar as chances de sucesso dos tratamentos e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes.
O projeto faz parte do novo Centro de Pesquisa Aplicada (CPA) Viva Bem e recebeu investimento de aproximadamente R$ 20 milhões. Um dos diferenciais da iniciativa é que os algoritmos serão desenvolvidos para funcionar diretamente nos dispositivos, reduzindo a necessidade de processamento em servidores externos e permitindo respostas mais rápidas e maior privacidade dos dados dos usuários.
A expectativa é que a pesquisa impulsione o uso da inteligência artificial na saúde preventiva e fortaleça o desenvolvimento de tecnologias médicas no Brasil. Caso os estudos avancem conforme o planejado, smartwatches e anéis inteligentes poderão deixar de ser apenas acessórios para monitoramento físico e se tornar ferramentas importantes para o diagnóstico precoce de doenças.



