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Brasil concentra 38% do mercado latino-americano de TI, mas data centers ainda não lideram prioridades dos CIOs

Estudo da ABES e IDC mostra que o Brasil segue como principal mercado de TI da América Latina, enquanto inteligência artificial e produtividade ganham prioridade sobre investimentos em data centers.

O Brasil mantém sua posição de liderança no mercado latino-americano de tecnologia da informação, concentrando 38% de todos os investimentos em TI da região. Apesar do protagonismo em infraestrutura digital e da corrida global por inteligência artificial, os data centers ainda não aparecem entre as principais prioridades estratégicas dos CIOs (Chief Information Officers) brasileiros.

Os dados foram apresentados pela Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) em parceria com a IDC e revelam um mercado nacional cada vez mais relevante no cenário regional. A liderança brasileira é impulsionada pela digitalização da economia, expansão da nuvem e adoção crescente de inteligência artificial em diversos setores.

Segundo o levantamento, a Inteligência Artificial Generativa lidera a agenda corporativa para 2026, sendo apontada por 53% das empresas como prioridade de investimento. Segurança cibernética, produtividade e automação também aparecem no topo da lista de interesses dos executivos de tecnologia.

Em contraste, investimentos em infraestrutura de data centers ocupam apenas a quarta posição entre as prioridades dos CIOs, absorvendo cerca de 24% dos recursos planejados. O resultado chama atenção porque ocorre justamente em um momento de forte expansão global da demanda por capacidade computacional para IA e serviços em nuvem.

Especialistas explicam que a pesquisa ouviu empresas usuárias de tecnologia, e não operadores de infraestrutura. Dessa forma, muitos executivos enxergam os data centers como serviços já disponíveis no mercado, concentrando seus esforços em aplicações, produtividade e transformação digital.

A percepção contrasta com o crescimento acelerado do setor de infraestrutura digital no país. O Brasil já concentra mais de 200 data centers em operação e responde pela maior fatia da capacidade instalada da América Latina, impulsionado por fatores como energia renovável, conectividade e demanda crescente por processamento de dados.

O estudo também destaca que o ecossistema brasileiro de software e serviços continua altamente pulverizado. Das mais de 41 mil empresas do setor, cerca de 94,3% são micro e pequenas empresas, evidenciando a forte presença de negócios de menor porte na cadeia de tecnologia nacional.

Entre os segmentos econômicos, o setor financeiro segue como o maior consumidor de tecnologia no país, respondendo por 25,4% dos investimentos em software e serviços. Em seguida aparecem serviços e telecomunicações, além da indústria, que juntos concentram aproximadamente 70% do mercado nacional.

Outro movimento relevante é a desconcentração geográfica dos investimentos em TI. Embora o Sudeste continue liderando, sua participação vem diminuindo gradualmente, enquanto Sul, Norte e Nordeste ampliam sua presença no ecossistema digital brasileiro.

Para 2026, a IDC projeta crescimento mais moderado, porém consistente, para o setor de tecnologia. A expectativa é de expansão de 5,3% em TI e 3,9% em telecomunicações, com empresas priorizando iniciativas capazes de gerar ganhos rápidos de produtividade e retorno mensurável sobre investimento.

O cenário mostra que, embora o Brasil continue ampliando sua infraestrutura digital e consolidando sua liderança regional, a agenda dos CIOs está cada vez mais voltada ao uso estratégico da tecnologia. Em vez de investir diretamente em capacidade física, as empresas parecem priorizar aplicações de IA, automação e segurança, transformando os data centers em uma base invisível — mas essencial — da economia digital.

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