
A Copa do Mundo de 2026 marca a estreia pública da TV 3.0, oficialmente chamada de DTV+, considerada a maior transformação da televisão aberta brasileira desde a digitalização do sinal. A nova tecnologia começou sua operação experimental durante o Mundial, combinando transmissão via antena com recursos típicos do streaming e da internet.
Nesta primeira fase, a experiência está disponível apenas em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, alcançando mais de 21 milhões de brasileiros. No entanto, o acesso completo aos recursos da TV 3.0 ainda depende da utilização de conversores externos, já que televisores com suporte nativo ao novo padrão ainda não chegaram em larga escala ao mercado.
A ausência de um conversor definitivo é vista pelo setor como um desafio temporário, semelhante ao período de transição da TV analógica para a TV digital. O governo federal estuda inclusive mecanismos para distribuição de equipamentos a famílias de baixa renda, repetindo estratégias adotadas durante a migração do sinal digital.
A proposta da DTV+ é transformar a televisão aberta em uma plataforma interativa. Entre os recursos disponíveis estão múltiplos ângulos de câmera, replay instantâneo, estatísticas em tempo real, enquetes, escolha de áudio e integração com aplicações conectadas à internet.
Outro diferencial é a personalização da experiência. Diferentes usuários poderão receber conteúdos e informações distintas enquanto assistem ao mesmo evento esportivo, aproximando a TV aberta do modelo já popularizado pelos serviços de streaming.
Apesar da integração com a internet, a nova tecnologia continuará funcionando por meio do sinal aberto e gratuito via antena. A conexão online será opcional e necessária apenas para habilitar recursos avançados de interatividade e personalização.
A TV 3.0 também promete avanços em acessibilidade, incluindo legendas personalizáveis, audiodescrição, tradução em Libras e recursos adaptados para diferentes perfis de usuários. Além disso, o sistema suporta transmissões em 4K e futuramente poderá evoluir para 8K, acompanhadas de áudio imersivo.
O Brasil adotou oficialmente o padrão DTV+ em 2025, baseado no sistema internacional ATSC 3.0, utilizado em países como Estados Unidos e Coreia do Sul. A expectativa é que a transição ocorra gradualmente ao longo dos próximos anos, podendo levar mais de uma década para atingir cobertura nacional.
Especialistas comparam o momento atual ao início da TV em cores no país. Assim como ocorreu em 1970, quando poucos brasileiros possuíam aparelhos compatíveis, a Copa de 2026 funciona como uma grande vitrine tecnológica para impulsionar a adoção da nova geração da televisão aberta.
Com a estreia da TV 3.0 durante o Mundial, a radiodifusão brasileira inicia uma nova fase marcada por interatividade, personalização e convergência entre TV e internet. O principal desafio agora será acelerar a chegada de conversores e televisores compatíveis para ampliar o acesso da população à experiência completa da DTV+.



