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Novos decretos endurecem obrigações de moderação das big techs no Brasil

Governo amplia responsabilidade das plataformas digitais e coloca ANPD no centro da fiscalização de conteúdos ilegais

Os novos decretos assinados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva endurecem as obrigações de moderação de conteúdo das grandes plataformas digitais no Brasil e ampliam o poder de fiscalização da Autoridade Nacional de Proteção de Dados sobre empresas de tecnologia. As medidas fazem parte de um pacote voltado à segurança digital, combate a crimes online e proteção de direitos no ambiente virtual.

As novas regras atualizam a regulamentação do Marco Civil da Internet e incorporam entendimentos recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a responsabilização de plataformas digitais por conteúdos ilegais publicados por usuários. Com isso, empresas como Google, Meta e TikTok passam a ter deveres mais amplos de prevenção, monitoramento e resposta a conteúdos criminosos.

Entre as novas exigências estão mecanismos preventivos contra fraudes digitais, anúncios enganosos, exploração sexual infantil, incentivo à violência, tráfico humano e redes coordenadas de golpes online. As plataformas também deverão preservar registros que permitam identificar autores de conteúdos ilegais e colaborar com investigações conduzidas pelas autoridades brasileiras.

Os decretos também atribuem à ANPD competência para regular, fiscalizar e investigar o descumprimento das obrigações impostas às plataformas digitais. Na prática, a autoridade passa a atuar como órgão central de supervisão do cumprimento das regras relacionadas à moderação de conteúdo e proteção de dados no ambiente digital.

Especialistas em Direito Digital afirmam que a medida cria um novo modelo de responsabilização das big techs no Brasil. Segundo o advogado Rony Vainzof, sócio fundador da VLK Advogados, a responsabilização das plataformas não deve ocorrer por conteúdos isolados, mas sim em situações de falhas sistêmicas na moderação e no dever de cuidado das empresas.

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