
A análise de arquivos armazenados no iCloud foi fundamental para a investigação que resultou na desarticulação de uma organização criminosa suspeita de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão de forma ilegal. As informações deram origem à Operação Narco Fluxo, deflagrada na última quarta-feira (15).
Os dados estavam vinculados à conta de Rodrigo de Paula Morgado, identificado pela Polícia Federal como operador financeiro do grupo. Entre os nomes citados como possíveis envolvidos estão os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além de influenciadores digitais.
Como o iCloud contribuiu para a investigação
As informações foram obtidas durante a Operação Narco Bet, realizada no ano anterior. A partir da análise dos dados armazenados na plataforma da Apple, os investigadores identificaram a existência de um novo grupo criminoso, independente do inicialmente apurado, com atuação voltada à lavagem de dinheiro em grande escala.
O serviço de nuvem costuma armazenar backups de aplicativos como WhatsApp, além de e-mails, fotos, vídeos, anotações e outros arquivos que podem revelar detalhes relevantes sobre a rotina do usuário. Esses registros incluem informações como data, horário de criação e histórico de alterações.
Com base nesse material, a Polícia Federal analisou conversas, movimentações financeiras, contratos, registros societários e procurações. A partir desses dados, foi possível estruturar um “mapa” da organização, identificando conexões entre operadores financeiros, empresas de fachada, artistas e influenciadores.
Apesar de o iCloud ser considerado um serviço seguro, com criptografia de ponta a ponta segundo a Apple, a empresa pode ser obrigada a fornecer dados mediante decisão judicial. Existe ainda um nível adicional de proteção, no qual apenas o usuário possui acesso às chaves criptográficas, embora nem todos os conteúdos estejam incluídos nesse modelo mais restrito.
Prisões de influenciadores e desdobramentos
Além dos cantores, a operação também resultou na prisão dos influenciadores Raphael Sousa Oliveira e Chrys Dias. Raphael é responsável pelo perfil “Choquei”, com milhões de seguidores na rede X, enquanto Chrys possui grande alcance no Instagram.
De acordo com a Polícia Federal, Raphael é investigado por possível participação no esquema de lavagem de dinheiro, enquanto Chrys teria atuado na promoção de rifas e sorteios de alto valor. Ambos também estariam envolvidos na divulgação da imagem dos artistas citados.
A Operação Narco Fluxo cumpre 39 mandados de prisão temporária e quatro de busca e apreensão em nove estados. A Justiça também autorizou a coleta de dados em serviços como Google Drive, além da apreensão de dispositivos eletrônicos, incluindo celulares, notebooks e discos rígidos.
As defesas de MC Ryan SP afirmam que os recursos do artista têm origem legal e comprovada. Já os representantes de MC Poze do Rodo informaram que irão se pronunciar após acesso aos autos do processo. Até o momento, os advogados dos influenciadores não se manifestaram.



