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Conectando Risco Global e Cybersecurity: O Papel Estratégico da Identidade

Por Leonel Conti

Existe uma mudança silenciosa acontecendo na forma como o risco global se materializa dentro das organizações. Durante anos, relatórios estratégicos apontaram para ameaças amplas como instabilidade geopolítica, aceleração tecnológica, fragmentação econômica e perda de confiança institucional. Esses elementos, destacados no World Economic Forum no relatório Global Risks Report 2026, pareciam, à primeira vista, distantes da operação diária das empresas. No entanto, essa distância deixou de existir.

O que o relatório Global Cybersecurity Outlook 2026 evidência é que esses riscos não apenas se aproximaram das organizações, como passaram a se manifestar de forma concreta, contínua e operacional dentro do ambiente digital. A convergência entre esses dois mundos revela que o risco global hoje se materializa, em grande parte, através da identidade digital.

A geopolítica, por exemplo, não se limita mais a fronteiras físicas ou disputas diplomáticas. Ela se traduz em campanhas de intrusão, espionagem e sabotagem digital (vamos deixar os drones guiados de lado). Esses movimentos não começam com ataques massivos, mas com o comprometimento de credenciais, o abuso de acessos privilegiados e a exploração de identidades legítimas. A identidade torna-se o vetor inicial e, muitas vezes, invisível, de conflitos globais.

Da mesma forma, a aceleração da inteligência artificial, tratada como um dos principais fatores de risco sistêmico, amplia exponencialmente a superfície de ataque. A capacidade de simular comportamentos humanos, automatizar fraudes e escalar ataques faz com que a distinção entre identidade legítima e identidade comprometida se torne cada vez mais tênue. Nesse contexto, não é a infraestrutura que falha primeiro, mas o modelo de confiança baseado em identidade.

A fragmentação econômica e a complexidade das cadeias de suprimento adicionam outra camada crítica. Organizações estão cada vez mais interconectadas, compartilhando acessos entre parceiros, fornecedores e ecossistemas inteiros. Cada nova integração representa não apenas uma oportunidade de negócio, mas um ponto adicional de exposição. O risco deixa de ser interno e passa a ser distribuído, transitando entre identidades que atravessam múltiplos domínios organizacionais.

Ao mesmo tempo, a confiança está perdendo a força, como confiamos? Relatórios apontam para a diminuição da capacidade percebida de governos e instituições em responder a crises. Dentro das empresas, esse fenômeno se traduz na incapacidade de garantir, com precisão, quem tem acesso a quê, em qual momento e sob quais condições. A identidade, que deveria ser o principal mecanismo de controle, torna-se um dos maiores pontos de incerteza.

Nesse cenário, segurança deixa de ser uma questão exclusivamente tecnológica e passa a ser uma questão de governança de identidade. Modelos tradicionais, baseados em acesso estático e privilégios persistentes, não são mais suficientes para responder à volatilidade do ambiente atual. O conceito de identidade precisa evoluir para algo dinâmico, contextual e efêmero, onde o acesso é concedido com base em risco, comportamento e necessidade real no tempo. Somente uma provocação, identidade é cultura, esquece o acesso baseado em perfil espelho.

O que emerge dessa análise é uma mudança de paradigma. Identidade e acesso não são mais apenas controles operacionais de TI. Eles se tornam o principal mecanismo de tradução entre risco global e resiliência organizacional. Cada credencial, cada privilégio e cada autenticação passam a representar não apenas uma ação técnica, mas uma decisão de risco.

Executivos que ainda tratam identidade como um tema secundário correm o risco de operar com uma visão defasada da realidade. Por outro lado, aqueles que compreendem essa convergência começam a reposicionar identidade como um ativo estratégico, capaz de reduzir exposição, aumentar resiliência e sustentar crescimento corporativo.

No fim, a conexão entre os dois relatórios não está apenas na convergência de temas, mas na revelação de uma verdade mais profunda. O mundo tornou-se digital, os riscos tornaram-se sistêmicos, e a identidade tornou-se o novo perímetro.

Quer ter acesso aos documentos, recomendo visualizar por esse link que direciona direto para as séries, desta forma, algo que também estou fazendo, será possível avaliar pelo menos os 2 últimos relatórios. Tá aí meu próximo artigo heinnn.

Link: Publication series | World Economic Forum

Tenham todos uma boa semana.

Leonel Conti

Professor universitário e executivo com mais de 20 anos em tecnologia, tendo liderado áreas estratégicas em empresas como Ypê, Seguradora Líder, Sompo Seguros e Redbelt Security. Graduado em Sistemas de Informação, possui pós-graduação em Segurança da Informação e Administração de Empresas, além de extensão em Transformação Digital pelo MIT. Certificações e cursos preparatórios de mercado. Sócio-fundador da OwlID, atua na vanguarda da cibersegurança com a convicção de que a identidade é o novo perímetro, o ponto central entre risco, confiança e estratégia de negócios.

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