A SiFive, empresa fundada em 2015 por engenheiros da UC Berkeley responsáveis por um projeto de chip open source, levantou US$ 400 milhões em uma rodada altamente disputada, alcançando uma avaliação de US$ 3,65 bilhões.
O movimento chama atenção por diversos fatores. Um deles é que a arquitetura aberta RISC-V utilizada pela empresa não segue os padrões tradicionais x86 ou ARM — dominados por Intel e outros players — que atualmente sustentam grande parte da infraestrutura de inteligência artificial impulsionada por GPUs da Nvidia.
Outro ponto relevante é a participação da própria Nvidia como investidora na rodada, ao lado de diversos fundos de venture capital, private equity e hedge funds. O aporte foi liderado pela Atreides Management, criada pelo ex-investidor da Fidelity, Gavin Baker. Entre os demais participantes estão Apollo Global Management, D1 Capital Partners, Point72 Turion, T. Rowe Price e Sutter Hill Ventures, entre outros.
O modelo de negócios da SiFive segue uma abordagem semelhante à antiga estratégia da Arm: a empresa licencia seus projetos de chips para terceiros, que os adaptam conforme suas necessidades, sem fabricar os produtos diretamente. Esse modelo contrasta com a recente mudança da Arm, que passou a desenvolver seus próprios chips, incluindo um processador voltado para IA em parceria com a Meta, com clientes como OpenAI, Cerebras e Cloudflare.
A SiFive se destaca por atuar com designs abertos e independentes, sem vínculos exclusivos com grandes clientes. Segundo dados da PitchBook, a empresa não captava recursos desde março de 2022, quando levantou US$ 175 milhões em uma rodada liderada pela Coatue Management, com avaliação pré-money de US$ 2,33 bilhões. Na ocasião, Intel Capital, Qualcomm Ventures e Aramco Ventures também participaram.
Historicamente, o RISC-V era mais associado a aplicações menores, como sistemas embarcados. No entanto, com o novo investimento e o apoio da Nvidia, a SiFive está expandindo sua atuação para o desenvolvimento de CPUs voltadas a data centers de inteligência artificial.
Os projetos da empresa serão compatíveis com o ecossistema da Nvidia, incluindo o software CUDA e a tecnologia NVLink Fusion, que permite integrar diferentes CPUs à infraestrutura de processamento de IA da companhia.
Na prática, enquanto concorrentes como Intel e AMD tentam enfrentar o domínio das GPUs da Nvidia, a empresa aposta em uma estratégia complementar: investir em uma startup que desenvolve CPUs baseadas em uma arquitetura aberta e alternativa, ampliando ainda mais seu alcance no setor de inteligência artificial.



