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De US$ 1 milhão a US$ 46 milhões em quatro meses: o que o TikTok Shop ensina sobre o novo consumidor.

Quatro meses, vinte e cinco vezes mais receita e uma lição que vai muito além da plataforma. O que os números do TikTok Shop revelam sobre o consumidor que nenhuma pesquisa de mercado havia capturado

Tem números que a gente lê e passa. E tem números que pedem para você parar e pensar.

O TikTok Shop chegou ao Brasil em maio de 2025. No primeiro mês, movimentou US$ 1 milhão. Em agosto, já eram US$ 46 milhões. Quatro meses. Vinte e cinco vezes mais. Sem desconto agressivo, sem frete grátis como estratégia central, sem décadas de reputação construída no mercado brasileiro.

Isso não é resultado de uma campanha bem feita. É um sinal de que alguma coisa mudou no comportamento de quem compra. O fim do funil como a gente conhecia.

Durante anos, o varejo organizou sua lógica de vendas em torno de uma sequência previsível: o consumidor descobre um produto, pesquisa, compara preço, lê avaliação, e só então decide comprar. Era um processo racional, mesmo que inconsciente. Tanto para os lojistas, quanto para nós que pensamos o marketing, a sequência parecia clara. 

O TikTok Shop quebrou essa sequência.

Na plataforma, o consumidor não entra para comprar. Ele entra para assistir. Não é venda, é passatempo. E no meio de um vídeo, sem ter planejado nada, clica em um produto e finaliza a compra sem sair do aplicativo. O setor chama isso de discovery commerce — o comércio por descoberta. Eu prefiro chamar pelo que é: o fim do funil de vendas como a gente conhecia, ou no meu caso é apenas um dedinho nervoso mesmo.

Cerca de 50% dos clientes do TikTok Shop compram sem ter planejado, 10% a mais do que em outras plataformas de redes sociais. Isso não é coincidência. É o resultado de um ambiente onde entretenimento e consumo ocupam o mesmo espaço, ao mesmo tempo.

O que os marketplaces tradicionais dizem sobre isso?

Para entender a dimensão do que está acontecendo, vale olhar para quem já estava no jogo antes.

O Mercado Livre ainda lidera o e-commerce brasileiro com mais de 40% de participação. A Shopee cresce entre 60% e 70% ao ano. A Amazon intensifica sua operação logística e já declarou meta de dobrar os itens vendidos no país. É o ambiente competitivo mais acirrado que o setor já viu. Curiosamente, todos eles tem bonificado avaliações mais completas e que contenham VÍDEOS.

E dentro desse cenário, o TikTok Shop, com apenas quatro meses de operação, já representa 2% das vendas brutas do Mercado Livre no Brasil — segundo o Itaú BBA. Um número que parece pequeno até você lembrar que estamos falando de uma plataforma que começou do zero poucos meses atrás.

O banco Santander projeta que a operação brasileira pode movimentar entre R$ 25 bilhões e R$ 39 bilhões até 2028, capturando entre 5% e 9% de todo o e-commerce nacional. O Itaú BBA já classifica o ambiente competitivo atual como o mais difícil já registrado no setor.

Não é só para grandes marcas

Aqui está a parte que mais importa para quem empreende no interior do país.

A Vittare Home é uma empresa de enxovais de Ibitinga, no interior de São Paulo. Não tem influenciador famoso, não tem verba de mídia robusta. Hoje fatura R$ 200 mil por mês pelo TikTok Shop — e 75% de toda a receita da empresa vem de lá. Desde que entrou na plataforma, o negócio cresceu 50%.

Metade dos criadores de conteúdo que vendem na plataforma já fatura entre R$ 50 mil e R$ 100 mil por mês. Em junho de 2025, o faturamento médio por creator dobrou em relação ao mês anterior.

Esses não são casos de exceção. São casos de quem entendeu antes que o canal mudou.

O que o TikTok Shop realmente ensina

O crescimento da plataforma não fala exclusivamente sobre o TikTok mas nos mostra como o consumidor brasileiro sinalizou com o comportamento de compra nos últimos meses mudanças que vem por aí. Não em 10 anos. Hoje.

Ele não quer mais ser interrompido por publicidade. Ele quer descobrir. Quer sentir que a compra foi uma consequência natural de algo que estava consumindo, não o resultado de uma campanha empurrando produto na sua frente.

O Brasil tem 111 milhões de usuários ativos no TikTok — terceiro maior mercado global da plataforma (Data.ai + Kepios + Meltwater, analisados pelo Santander, reportados por Mercado&Consumo – janeiro 2025 e confirmados pela Exame maio 2025). Não é coincidência que o BTG Pactual chame o país de “campo de prova” para o modelo de monetização em mercados emergentes. Somos um laboratório. E os dados mostram que o experimento está funcionando.

Para quem trabalha com varejo e comunicação, a lição não é “abra uma loja no TikTok”. A lição é mais profunda: o consumidor já decidiu que entretenimento e consumo podem coexistir no mesmo ambiente. Quem ainda está esperando ele sair do vídeo para ir até a loja vai esperar muito tempo.

O canal mudou. A pergunta agora é se a estratégia vai acompanhar.

Iana Furst

CEO do Noroeste Summit, um dos maiores eventos de inovação do interior do RS, que conecta empresas, lideranças e comunidades para gerar negócios, conhecimento e impacto real. Também a frente da Viu Comunicação, agência especializada em humanização de marcas e desenvolvedora do Stories Que Vendem e do método Agência Lucrativa. Cofundadora e host do Podcast Concha Acústica. Ao longo da minha trajetória, já impactamos milhares de pessoas por meio de eventos, projetos e campanhas que unem criatividade e estratégia para transformar marcas e territórios. Acredito no poder da comunicação humanizada, que aproxima pessoas e gera resultados concretos. Seja em um palco, liderando uma equipe ou criando uma campanha, o foco é o mesmo: potencializar ideias para transformar negócios e regiões inteiras.

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