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PAM não é cofre de senhas: por que gestão de acesso privilegiado virou pauta de conselho em 2026

Com o mercado projetado em US$ 4,4 bilhões e praticamente toda violação significativa do ano rastreada até credenciais privilegiadas abusadas, tratar PAM como simples cofre de senhas é o erro que pode custar a sobrevivência da operação.

Se você perguntar para dez profissionais de TI o que é PAM, uma parcela significativa ainda vai responder algo como “é aquela ferramenta que guarda as senhas de administrador”. Não estão errados, mas estão perigosamente incompletos. Essa visão reduzida explica por que tantas empresas implementam uma solução de Privileged Access Management, marcam a caixa do compliance e seguem operando como se o problema estivesse resolvido. Em 2026, com o mercado de PAM projetado para atingir US$ 4,44 bilhões e crescendo a 23% ao ano, a indústria está gritando o que muitos CISOs já perceberam na prática: gestão de acesso privilegiado é muito mais do que um cofre digital, e quem não entendeu isso está protegendo a porta da frente enquanto as janelas continuam abertas.

O cofre de senhas é apenas a camada mais visível, e talvez a menos sofisticada, de uma plataforma PAM moderna. Quando falo com gestores que estão avaliando ou revisando suas implementações, costumo usar uma analogia simples: o cofre é o cadeado do portão. É necessário, mas não substitui câmeras, sensores de movimento, controle de quem entra e sai, registro de tudo que acontece dentro do prédio e a capacidade de trancar uma sala específica em segundos se algo parecer errado. Uma solução PAM madura entrega exatamente isso. Sessões privilegiadas intermediadas e isoladas, onde o usuário nunca toca diretamente o sistema-alvo. Gravação completa de sessões com replay de vídeo, comandos e transferências de arquivos. Privilégios concedidos sob demanda, no modelo just-in-time, eliminando acessos permanentes que ficam dormentes até serem explorados. E detecção comportamental que identifica quando uma conta privilegiada está fazendo algo que foge do padrão, acionando bloqueio automático ou autenticação adicional antes que o dano se materialize.

A mudança mais profunda, no entanto, não é tecnológica. É estratégica. Praticamente toda violação significativa de 2026 pode ser rastreada até credenciais privilegiadas abusadas, permissões excessivas ou identidades mal governadas. Esse dado, que circula em relatórios de analistas e conversas de board, é o que transformou PAM de controle de TI em prioridade de conselho de administração. Seguradoras de cyber risk já exigem MFA em acessos privilegiados, gravação de sessões e eliminação de acessos permanentes como condição para emissão de apólice. Quando a seguradora pergunta e a empresa não tem resposta, o prêmio sobe ou a cobertura simplesmente não acontece. PAM deixou de ser pauta técnica e virou pauta financeira.

E existe um desafio novo que a maioria das organizações brasileiras ainda nem começou a endereçar: identidades não humanas. Já abordei aqui no Café com Bytes como a adoção acelerada de IA generativa sem governança adequada cria vulnerabilidades que vão além do técnico. Esse problema se amplifica quando falamos de agentes de IA autônomos, robôs de automação, pipelines de CI/CD e APIs que operam com credenciais privilegiadas, muitas vezes sem supervisão humana e sem as mesmas camadas de controle aplicadas a pessoas. Uma estratégia PAM preparada para 2026 precisa governar essas identidades de máquina com o mesmo rigor, concedendo credenciais com propósito específico, tempo limitado e revogação automática ao fim de cada tarefa. A superfície de ataque de identidades privilegiadas não é mais apenas humana.

O que recomendo para qualquer gestor ou CISO que esteja lendo este artigo é um exercício de honestidade: abra sua solução PAM atual e verifique quantas contas privilegiadas têm acesso permanente ativo, quantas sessões são efetivamente gravadas e auditáveis, e se existe algum controle sobre as identidades de máquina que rodam nos seus ambientes. Se a resposta for apenas “as senhas estão no cofre”, você tem uma falsa sensação de segurança que qualquer atacante minimamente competente sabe explorar. PAM moderno é sobre eliminar privilégios permanentes, monitorar cada sessão em tempo real, integrar com SIEM para correlacionar eventos e governar toda identidade que toca ativos críticos, seja ela humana ou não.

A sua organização trata PAM como cofre de senhas ou como plataforma de governança de acesso privilegiado? A diferença entre as duas respostas pode ser a diferença entre conter um incidente em minutos ou explicar um vazamento ao conselho. Agradeço por acompanhar mais um artigo do Café com Bytes. Se esse tema fizer sentido para alguém da sua rede, compartilhe e deixe seu comentário.

Rodrigo Rocha

Co-fundador e Head de Soluções de Cibersegurança da Gruppen it Security

Fontes

https://securityboulevard.com/2026/04/why-privileged-access-is-becoming-the-control-plane-for-agentic-ai/

https://andreafortuna.org/2026/02/26/privileged-access-management-zero-trust

Rodrigo Rocha

Atuo há mais de duas décadas na área de tecnologia e cibersegurança, ajudando organizações a evoluírem sua postura de proteção com foco em resultados reais. Sou co-fundador da Gruppen IT Security e graduando em Psicologia, unindo segurança digital, comportamento humano e gestão do risco de forma integrada. Escrevo sobre cibersegurança aplicada, cultura digital e resiliência no Café com Bytes.

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