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O “Teatro da Segurança”: Por que o seu Conselho de Administração é o maior Risco da Empresa

Por Dênis Martinelli

Enquanto CISOs ao redor do mundo apresentam gráficos coloridos de “ataques bloqueados” nas reuniões de diretoria, uma realidade incômoda permanece escondida sob o carpete das salas de conselho: a maioria das organizações sofre de uma perigosa miopia digital.

O mercado escalou, as ameaças foram automatizadas por Inteligência Artificial, mas a mentalidade de muitos conselheiros permanece estagnada em uma era onde a cibersegurança era apenas um “problema da TI”. Se o seu Conselho ainda trata o risco digital como uma nota de rodapé técnica ou um item de conformidade, ele não está apenas desatualizado — ele se tornou o elo mais fraco da estratégia corporativa.

A Ilusão do Compliance: Auditoria não é Escudo

Há um vício perigoso em confundir compliance com segurança. Muitos conselhos suspendem a respiração até receberem o selo de uma auditoria ou a confirmação de conformidade com a LGPD. Notícia de última hora: hackers não respeitam selos ISO.

Estar em conformidade é o patamar mínimo para evitar multas regulatórias; não é o suficiente para garantir a continuidade do negócio. Conselheiros que se contentam com checklists estão administrando burocracia, não risco. A pergunta crítica que o conselho deve fazer não é “estamos dentro das normas?”, mas sim: “Quanto o nosso faturamento cai por hora se a operação for sequestrada agora?”.

O Seguro Cibernético como Muleta Estratégica

O seguro cibernético tornou-se a nova “pílula mágica” dos conselhos inertes. O raciocínio é sedutor: “Se formos invadidos, a apólice paga”. Esta é uma falácia de gestão.

Nenhum seguro recupera a confiança de um cliente traído, reconstrói uma reputação incinerada nas redes sociais ou devolve segredos industriais roubados. Além disso, em 2026, as seguradoras estão mais rigorosas do que nunca. Tratar a cibersegurança meramente como uma transferência de risco financeiro é uma negligência que beira a irresponsabilidade fiduciária.

O CISO como Estrategista, não como “Bombeiro”

A estrutura hierárquica denuncia a prioridade: se o seu CISO (Chief Information Security Officer) só fala com o Conselho uma vez por ano, ou se ele precisa de um “tradutor” do setor financeiro para ser ouvido, sua governança está falhando.

A cibersegurança em 2026 exige um letramento digital mínimo por parte de cada conselheiro. É impossível governar o que não se compreende. O conselho moderno precisa parar de pedir “sopa de letrinhas” técnicas e começar a exigir contexto de negócio: como a nossa resiliência digital protege o nosso Ebitda e a nossa vantagem competitiva?

IA: A Metralhadora vs. O Estilingue

Enquanto comitês lentos debatem políticas de uso ético da IA, o cibercrime já industrializou o ataque. Com ferramentas generativas, o phishing tornou-se perfeito, a engenharia social tornou-se indetectável e a quebra de perímetros tornou-se instantânea.

A assimetria é brutal. Um conselho que não prioriza investimentos em defesa autônoma e orquestração de segurança está, na prática, enviando soldados de cavalaria para enfrentar uma guerra de drones.

O Fim do “Teatro da Segurança”

Existe um acordo tácito de silêncio em muitas organizações: executivos de segurança têm receio de pedir o orçamento necessário e o conselho tem receio de encarar quão vulnerável a empresa realmente está.

Esse teatro invariavelmente termina com sistemas fora do ar, ações despencando e cadeiras sendo trocadas às pressas após o desastre. A cibersegurança não é mais uma questão de bits e bytes; é uma questão de sobrevivência institucional. Se o seu conselho não tem uma visão proativa sobre o risco digital, o próximo incidente não será uma fatalidade — será a consequência direta de uma escolha silenciosa pela negligência.

E você, o que pensa sobre isso? Deixe aqui sua contribuição e vamos juntos.

Dênis Martinelli

Sócio e CSO da Telium Networks, colunista do portal Café com Bytes e Palestrante, com uma vivência de mais de 30 anos na área comercial ele se especializou em gestão humanizada e na experiência do cliente, sempre antenado nas novas tecnologias e na segurança da informação.

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