
A Positivo Servers & Solutions aponta que a falta de componentes como memória, SSDs e processadores vem impactando de forma mais intensa o mercado brasileiro de servidores. O cenário já reflete diretamente nos preços, no planejamento de aquisições e na reposição de estoques. A avaliação foi feita pelo CEO da companhia, Silvio Campos, em entrevista ao Tele.Síntese, ao comentar o lançamento de um novo servidor e o contexto atual da cadeia de suprimentos.
Segundo o executivo, a situação deixou de afetar apenas a memória e passou a atingir também unidades de armazenamento e chips de processamento. A deterioração na oferta começou a ser percebida com mais força no final de 2025, quando a produção global de memória passou a ser absorvida principalmente por grandes empresas ligadas à inteligência artificial e provedores hyperscale, reduzindo a disponibilidade para outros setores.
Campos destaca que os maiores impactos estão concentrados nos preços de memória e SSDs, que registraram aumentos expressivos em comparação aos patamares anteriores. A expectativa do mercado é de novos reajustes no curto prazo, o que amplia a incerteza para fabricantes e clientes.
Para amenizar os efeitos dessa volatilidade, a Positivo Servers antecipou a formação de estoques, garantindo o lançamento do novo equipamento e o abastecimento inicial. Ainda assim, a medida não resolve o problema estrutural, e a tendência é de alta gradual nos preços dos servidores. Em alguns casos, fornecedores já limitam a validade de propostas comerciais a poucos dias devido à instabilidade nos custos.
Além disso, a disponibilidade de processadores também preocupa. Embora a empresa ainda consiga atender sua demanda atual, já trabalha com pedidos antecipados para assegurar o fornecimento futuro e manter maior previsibilidade para seus clientes.
Esse cenário também começa a influenciar o comportamento de compra das empresas. Tradicionalmente, servidores são dimensionados para ciclos de uso entre cinco e sete anos, mas o aumento dos custos pode levar organizações a adotarem configurações iniciais mais básicas, com expansão posterior de memória e armazenamento.
Embora essa prática ainda não seja dominante, já surge como alternativa em situações onde o orçamento foi impactado pela alta dos componentes. Ao mesmo tempo, a demanda por capacidade computacional continua forte, impulsionada por data centers, virtualização e serviços em nuvem.
Nesse contexto, a limitação na oferta de componentes passa a afetar diretamente o preço final dos equipamentos no Brasil, além de reduzir a previsibilidade nos prazos de entrega, criando novos desafios para empresas que dependem de infraestrutura de TI.



